20 anos do Nintendo 64: acertos, erros, revoluções e falta de fôlego

20 anos do Nintendo 64: acertos, erros, revoluções e falta de fôlego

Saudações aos leitores.

A marcha do tempo é irrefreável. Pois que o Nintendo 64 foi lançado no dia 29 de setembro de 1996, há 20 anos portanto. E embora o mundo fosse bastante diferente à época com sua internet ainda primitiva, sem redes sociais e youtube, celulares-tijolo, havia uma semelhança com a época atual: a expectativa com o então novo console da Nintendo. Curiosamente, inclusive, houve tanto com Nintendo 64 quanto há agora com o “NX” uma polêmica acerca da utilização de cartuchos como midia, sobretudo porque os CD-ROMs eram o grande símbolo tecnológico dos anos 90. Mas além desse detalhe, o fato é que o Nintendo 64 ainda é lembrado e querido porque foi acima de tudo um console interessante que pertenceu a uma época interesante da história dos video games. Então tentarei resumir aqui alguns dos porquês do Nintendo 64 ter sido um console especial apesar de não ter sido o mais vendido e influente de sua época (“título” este que cabe ao Playstation).

Super Mario 64 – a transição para o 3D

Sim, sabemos que já existiam jogos poligonais com movimentação tridimensional para computadores, e entre os consoles de mesa, mesmo o Playstation já tinha algumas esquisitices obscuras como Jumping Flash. Porém, Super Mario 64 foi o jogo que realmente abriu os olhos da imprensa especializada e dos jogadores para os “jogos 3D”. Todo mundo na época ficou boquiaberto não apenas com a movimentação tridimensional perfeita e fluida de Mario, mas também com a qualidade geral do jogo, que exibia gráficos detalhados, ótima trilha sonora e o excelente level design, cheio de segredos e desafios. Tudo isso era muito bem controlado pelo inovador (na época) direcional analógico, que caia como uma luva para jogos com movimentação tridimensional, que vinha como padrão do Nintendo 64, ao contrário do Playstation que só adotou o Dual Shock anos depois do lançamento. Assim, Super Mario 64 foi o grande garoto-propaganda que apresentou para o mundo o “poder” de seu novo console 64 bits.

As limitações do cartucho

A pouca memória disponível era uma limitação evidente, porém por mais motivos que a óbvia ausência de cinematics, que se por um lado era uma novidade nos video games na época, na prática a maioria era composta de videos com qualidade meia boca e animações risíveis em computação gráfica. Pouca memória significa também menos espaços para texturas, imagens em bitmap e mesmo efeitos gráficos, como luz e sombra, por exemplo. Isso ficou evidente desde os primeiros jogos e contribuiu para diminuir a sensação de que o Nintendo 64 fosse muito mais poderoso do que o Playstation. Um exemplo evidente foi a conversão de Mortal Kombat Trilogy, lançado ainda em 1996, cuja versão Nintendo 64 apresentava sprites com menos definição e menos lutadores que a versão Playstation; outros exemplos foram as conversões de Killer Instinct 2 e Cruis’n USA, que apresentavam gráficos significativamente piores que as versões originais. Somada a limitação de memória, o recurso de bilinear filtering acabou responsável por uma espécie de estética infame do Nintendo 64, já que esse recurso borrava as texturas para que essas não fossem exibidas todas quadriculadas na tela. O problema é que a qualidade das texturas era tão ruim que fazia com que muitos jogos ficassem com aspecto geral terrível, pois além do borrado do próprio video game ainda tinha a definição ruim das televisões de tubo dos anos noventa.

Outro recurso prejudicado eram o som, pois além da pouca memória havia ainda a bizarrice da arquitetura do Nintendo 64, que obrigava o processador a processar as músicas e efeitos sonoros por falta de um chip dedicado. O resultado era que enquanto os jogos do Nintendo 64 em muitos casos apresentavam MIDIs simples, os jogos de Playstation tinham trilhas sonoras com toda a qualidade do CD. Um exemplo dessa discrepância era Tony Hawk’s Pro Skater, que enquanto a versão Playstation apresentava faixas completas e com qualidade de CD das músicas das bandas de punk rock e hardcore presentes no jogo, a versão Nintendo 64 tinha faixas com qualidade inferior e duração cortada para poder caber no cartucho.

O fator Howard Lincoln

Um personagem pouco conhecido do grande público que foi muito importante para o Nintendo 64 foi Howard Lincoln, presidente da Nintendo of America  entre 1994 e 2000. Vocês podem ler a história em detalhes no artigo traduzido Howard Lincoln: Kicking ass before Reggie came along, mas resumidamente ele foi o responsável por uma série de parcerias importantes com empresas como Electronic Arts e Lucas Arts, apoiou empresas como a DMA – que mais tarde se tornaria a Rock Star e nunca mais lançaria jogos para consoles de mesa da Nintendo – Factor 5 e Left Field, além de ter sido o grande apoiador da lendária parceria Nintendo/Rare, que terminou comprada pela Microsoft logo após a gestão de Lincoln. Ou seja, graças a competência e o trabalho duro de Lincoln que o Nintendo 64 recebeu jogos como Star Wars Rogue Squadron, os melhores esportivos da EA, Blast Corps, e todos os clássicos da Rare como 007 Goldeneye, Perfect Dark, Banjo Kazooie e por aí vai. E apesar de não ter impactado o Nintendo 64, se hoje a Retro Studios, o estúdio responsável por jogos espetaculares como Metroid Prime e Donkey Kong Country Returns existe, o grande mentor foi Howard Lincoln.

Os clássicos – Ocarina of Time, 007 Goldeneye, Super Smash Bros.

Mas nem tudo eram limitações e problemas em relação ao Nintendo 64, pois o console apresentou grandes jogos e clássicos ainda queridos durante seus 5 anos de ciclo. Depois da estréia arrasadora de Super Mario 64, o console manteve o ritmo no ano seguinte com grandes lançamentos, começando por Mario Kart 64. Segundo título da série que começou no Super Nintendo, MK 64 fez boa transição para o esquema de jogo tridimensional, com bons gráficos para o padrão da época e pistas muito divertidas como DK’s Jungle Parkway, Choco Mountain e Royal Raceway.

Outro excelente lançamento daquele mesmo ano foi Star Fox 64, que além de ter muito bem sucedido o primeiro título de Super NES, serviu para introduzir o recurso da vibração em controles através do acessório Rumble Pak, algo que virou padrão e até hoje é indispensável em qualquer controle. Além desse detalhe, o jogo era excelente por si só, um shooter on rails divertidíssimo e que envelheceu muito bem.

Mas sem dúvida a grande estrela daquele distante ano de 1997 foi o lendário 007 Goldeneye, o revolucionário FPS que ficou a bandeira desse gênero de jogos nos consoles para sempre. Eu já falei desse jogo algumas vezes aqui no blog (vejam post recente sobre a performance desse jogo aqui), mas repito que é um jogo que envelheceu com dignidade e ainda é bem jogável, e na época então, era sensacional. Afinal de contas, 007 fez frente ao melhores jogos de tiro para PC, que contavam com bem mais recursos e a insuperável dupla teclado e mouse para os controles. Por outro lado, outro fator que contribuiu muito para a popularidade de Goldeneye foi seu sensacional modo multiplayer para até 4 jogadores, cujas disputas frenéticas e partidas acirradas fizeram a cebeça da molecada dos anos 90. Quem é desse tempo se lembrará das partidas no modo proximity mines.

E claro que é impossível falar de Nintendo 64 sem mencionar o mito The Legend of Zelda: Ocarina of Time e seus 8 milhões de cartuchos vendidos. Como cheguei a mencionar aqui há muito tempo, Ocarina foi tão fenomenal que não apenas fez muita gente que não se interessava pela série a comprar o jogo, como também fez gente que havia abandonado os consoles a voltar à eles. Quanto ao jogo em si, hoje ainda é incrível notar o quanto a Nintendo conseguiu fazer com parcos 256 Megabits (32 Megabytes!), ao apresentar uma aventura tão épica e vasta para o padrão de 1998. Quem não se lembra do quão vasta parecia Hyrule Field ou o Desert Colossus? Embora tenha recebido a exagerada alcunha de “melhor jogo de todos os tempos”, o fato é que Ocarina of Time sem dúvida foi o jogo que mais marcou o Nintendo 64.

Claro que há mais jogos que merecem ser mencionados, sobretudo multiplayers como Wave Race, Mario Party, 1080 Snowboarding, Super Smash Bros, etc; porém teria que alongar muito o texto para fazer justiça com todos.

Perda de fôlego – 1998 para frente

Quando olhamos para a história da quinta geração de consoles, o que fica claro é que o Nintendo 64 foi um console que começou forte, parecia que seria a refêrencia de sua geração, porém o que aconteceu foi que o console foi perdendo fôlego e ficando longe da popularidade do rival Playstation. Outra diferença entre os dois consoles, é que enquanto o console da Sony recebia grandes títulos com certa regularidade, enquanto que o Nintendo 64 muitas vezes parecia passar por longos períodos entre grandes jogos, sobretudo depois de 1998. Além disso, o melhor relacionamento que a Sony estabeleceu com as produtoras terceirizadas ajudou o Playstation a ter mais variedade em sua biblioteca de jogos. Prova disso é que embora o Nintendo 64 tenha recebido alguns jogos de peso em seu final de ciclo, como Super Smash Bros., The Legend of Zelda: Majora’s Mask e Perfect Dark, o console não recebia mais nada digno de atenção das terceirizadas, sobretudo de tradicionais como Capcom, Konami e Namco.

Por fim…

Embora o Nintendo 64 não tenha sido um console tão consistente quanto seu principal rival, o fato é que brilhou em seus melhores momentos e alguns de seus melhores jogos ajudaram a marcar a história dos video games. Não foi, claro, um video game perfeito, porém creio tenha sua importância e divertiu muita gente durante seus anos – especialmente com seus jogos multiplayer para 4 jogadores. E vocês, quais foram suas experiências com o Nintendo 64?

AvcF – Loading Time.

 

2 thoughts on “20 anos do Nintendo 64: acertos, erros, revoluções e falta de fôlego

  1. Aqui começou o calvario da Nintendo.
    Essencialmente pra mim, foi um console de muitos altos e baixos. Ele foi o primeiro console da Nintendo que comprei, e digo que foi a a mair decepção que tive com um console em toda minha vida gamer.
    Meu referencial de Nintendo, foram Nes , e Super Nintendo, os melhores consoles da empresa na minha opinião. Comparar o N64 com seus antecessores é uma verdadeira piada de mau gosto.
    Em contrapartida, este videogame foi responsavel por alguns dos meus melhores momentos na quinta geração, Jogos como Mario 64, Star fox 64, e o imcomparavel International SuperStar Soccer 64 ficaram pra sempre na memoria.

    Em resumo, foi console de jogos pontuais que transcenderam a propria geração a que pertenciam, mas foram ofertados a conta gotas.

  2. Quando comecei a ouvir falar do console, ainda se chamava project reality, mas já se sabia que teria entrada para 4 controles e que teria arquitetura 64 bits. Nossa, fiquei boquiaberto só com essa noticia. passou o tempo e mudaram o nome para ultra 64, e mostraram o console, que tinha um design bem peculiar. Depois fiquei sabendo que teria o rumble pack e o stick analógico. Ai pirei de vez, pensei: Acabou pro playstation. Mas depois o nome mudou de novo, e passou a se chamar Nintendo 64, e veio a noticia de que a máquina usaria os ultrapassados cartuchos. Veio o lançamento e fomos brindados com super Mario 64, uma obra prima, fiquei boquiaberto quando vi pela primeira vez o jogo. mas o tempo passou e o console foi perdendo folego, e fomos percebendo que o console não era tão poderoso assim. Jogos do arcade como Killer Instinct 2 e cruis’n usa que foram lançados para o 64 bit perderam qualidade. Os gráficos eram bem inferiores aos originais. Tive um Nintendo 64, com dois dos melhores jogos que o sisteme tinha, que eram zelda e mario, mas não consegui comprar um cartucho sequer, pois os jogos eram caríssimos. Os lançamentos eram poucos e os que tinham, eram jogos fracos, simples, com texturas lavadas, mal feitas. Claro, que teve exceções, a Rare nos brindou com clássicos que até hoje são lembrados com carinho pelos gamers. Goldeneye foi um divisor de águas. banjo-kazooie era demais, entre outros. Zelda Ocarina of time era espetacular. mas fui percebendo que o console não tinha lançamentos regulares. Jogos que o Playstation tinha com facilidade, como tomb raider, resident evil, tekken, final fantasy, ridge Racer, Crono Cross, entre tantos outros jogos que até multiplataformas, não saiam para o console da Big N. foi ai que tomei a decisão de vender o console e comprar o playstation. A partir daí, so comprei consoles Playstation. A Nintendo parou no tempo, nao que ela nao faça jogos de qualidade, mas, ela tinha que pensar também no publico adulto.

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