Bad Trip: Lethal Enforcers (multi)

Bad Trip: Lethal Enforcers (multi)

 

Saudações aos leitores.

Quem jogou video game nos anos 1990 sabe da importância dos Arcades, de como eles eram a referência de qualidade técnica, que eram o que os consoles “gostariam de ser quando crescer”. Se vocês pegarem alguma revista daquela época ou mesmo lembrar dos papos dos jogadores daquelas locadoras que cobravam por hora, certamente acharão frases e/ou declarações do tipo “esse jogo ficou igualzinho ao arcade” (aliás, bons tempos não?). O problema é que nem sempre ficar “igualzinho” ao arcade era sinônimo de qualidade, pois os fliperamas abrigavam muita porcaria também – caso dos infames light gun shooters. Impressionante como todo fliper (eu chamava assim na minha fase de ratinho de flipper, quando frequentava altas porcarias só pra jogar os games mais bacanas) tinha pelo menos um desses, com aquelas indefectíveis pistolas azuis, laranjas ou mesmo rosas. E os jogos eram só pérolas: Revolution X, Area 51, Terminator 2: Judgment Day, Mad Dog McCree, The House of the Dead, Zombie Raid…HAJA TRANQUEIRA, AMIGO (leia com a voz do Galvão Bueno).

E claro que algumas empresas aproveitavam pra tentar não só pegar uns incautos portando essas porcarias para os consoles, como também viam nesses jogos a oportunidade de empurrar um acessório caro e inútil – as morféticas pistolas – para quem quisesse ter a “experiência real” de um “arcade em casa”. Como foi o caso do tosquissimo Lethal Enforcers da Konami:

Na vã tentativa de proporcionar uma experiência realista de “polícia e ladrão”, o jogo proporcionava seguidos momentos de humor involuntário, como os gritos ridículos dos bandidos e das vítimas(“don´t shoot, they are creazy! HUUUUAAAHH!), as poses bizarras que alguns meliantes morriam ou os carros (que se vocês repararem no video, sequer tinham motoristas) que carregavam mais gente dentro do que aqueles fusquinhas de circo carregavam palhaços. A maioria dos cenários parecia mais aquelas fotos de fundo dos karaokes do que cenas de crime propriamente, e a gritante diferença de contraste entre eles e as sprites só reforça essa sensação. E por falar nas sprites, a animação porquíssima delas dava uma impressão bizarra de que eram fotos andantes ao invés de personagens – que por sinal foram feitos por atores de quinta categoria. A direção que era uma espécie de “clipe Sabotage com recursos da Rede TV” completava o pacote.

A Konami não viu mal em faturar um trocado extra com uma porcaria desse naipe, então ela resolveu portar Lethal Enforcers para SNES, Genesis e Sega CD – e sempre com a pistola como opcional – e conseguiu tornar o ruim ainda pior:

Gráficos péssimos, sons ininteligíveis (sobretudo a versão Genesis) e gameplay porcamente implementado tornavam um jogo que já era meia boca por natureza uma verdadeira armadilha na prateleira da locadora. Sem contar que não fazia muito sentido perder tempo com uma porcaria dessas quando já começavam a surgir games de tiro muito melhores nos computadores, como Wolfenstein 3D e Doom (Lethal Enforcers foi portado para consoles em 1993). Até me recordo que certa vez algum maluco do grupinho de jogadores que eu fazia parte apareceu com esse joguete, e ninguém perdeu mais do que cinco minutos até querer jogar qualquer outra coisa.

Creio que exceto por Time Crisis e talvez Virtua Cop, não existiu um light gun game que prestasse. Está aí um gênero que não fez a menor falta quando foi extinto. Nem nos arcades e muito menos nos consoles.

AvcF – Loading Time.

5 thoughts on “Bad Trip: Lethal Enforcers (multi)

    1. Olá maximumscesar, The House of the Dead pode até ser que garanta aí alguma diversão aí, mas fala sério, o jogo é tão tosco, com diálogos tão mal feitos, que deixa o “Hi Stranger” do Mad Dog um verdadeiro poema!!!

  1. Ahhhh AvcF não fala assim do Mad Dog McCree que eu fico triste hein!!!
    Adorava esse jogo no Arcade… quando ia pra cidade grande (moro numa cidade que na época tinha uns 35mil habitantes) passear na casa de algum primo, quase que implorava pra ir no Shopping, recarregar meu Playcard, e passar a tarde toda jogando esse jogo!!
    Jogava um XMen vs Street ou um Fatal Fury (que saudade) só pra dar uma relaxada, mas logo logo voltava na frente daquela tela gigante pra atirar nos bandidos em busca do tal Mad Dog!!!
    Jogo até hoje no Wii!!!
    Como o Gilmar Dias mencionou, extinto extindo esse tipo de jogo ainda não está.. os spin-off do Resident Evil, Umbrella foi meio que meia-boca, mas com Darkside eles melhoraram bastante o gameplay….
    Faltou mesmo um Time Crises no Wii, faria todo sentido com o Nunchuck. Esse jogo sim simbolizava esse gênero com louvor!!!

    OBS: Você já fez alguns especiais sobre software-houses como a Ocean, Midway, Acclaim (essa aliás que você adora, já que mereceu uns 2 ou 3 posts aqui) tá na hora de fazer uma sobre a SNK hein, o que acha? Fazer uma sessão “à lá” Milton Neves do “Que fim levou???” séries tão importantes como Fatal Fury, Art of Fighting, Metal Slug, The King Of Fighters que caíram no esquecimento ou na lata do lixo.

    Abraços.

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