Bad Trip: Pit Fighter (SNES)

Bad Trip: Pit Fighter (SNES)

Saudações aos leitores.

Quando se fala dos piores jogos de todos os tempos, geralmente o clichê é relembrar “clássicos” como E.T de Atari 2600 e Superman 64 do Nintendo 64. Mas quando eu relembro de minhas experiências gamísticas de antigamente, certamente um dos piores de todos os tempos foi a versão SNES do infame sucesso da era pré-Street fighter 2, Pit Fighter.

Aliás, não sei porque ainda não falei sobre essa versão.

Um pouco de história

Para quem não viveu nos longínquos anos 1980, ver um video de Pit Fighter é um experiência estranha, até bizarra. Afinal, como aquela bagunça em forma de jogo de luta pode um dia ter tido relevância, a ponto de ter sido uma das inspirações para Mortal Kombat? Bem, além do zeitgeist daquela era que privilegiava jogos com muita ação e violência (o politicamente correto ainda demoraria à atrapalhar os video games), havia também um fator que ainda faz com que muitos achem que um jogo é melhor do que ele realmente é: gráficos. O fato é que nos tempos pré-Street Fighter II, Pit Fighter era, ao lado de TMNT e The Simpsons, um dos reis dos fliperamas.

Realmente o jogo impressionava com seus gráficos “realistas”, feitos sob a técnica de desenhar sprites baseadas em fotos digitalizadas. O impressionismo era tal que o pessoal nem ligava para as animações que faziam os personagens se movimentarem como se estivessem se segurando para não fazer xixi nas calças, nem a cara de produção pornô que a estética totalmente trash do jogo deixava transparecer. Talvez o fato de que o conceito de jogo arcade seja divertir o máximo com no mínimo uma ficha, Pit Fighter acabava tendo seus inúmeros defeitos relevados pelos jogadores. Afinal, como nem era caro e tal, então até podia ser ruim, mas até que era bom.

De uma forma ou de outra, a Atari Games, desenvolvedora e publisher do jogo, acho que seria uma boa idéia converter Pit Fighter para tudo quanto fosse plataforma, dos computadores mais obscuros até forno de microondas, torradeira e aquela TV portátil que nunca pegava porra nenhuma.

Bem, até aí tudo ok, fazia parte da época. Porém, Pit Fighter de SNES pode tranquilamente ser considerado como uma das piores conversões de todos os tempos. E lançado justamente para o console que recebeu nada menos que a primeira conversão de Street Fighter II NO MESMO ANO. Isso é que é um feito.

Uma nova definição de vagabundagem

Voltando ao jogo em si, após essa longa introdução, a versão SNES de Pit Fighter redefiniu para mim o conceito de vagabundagem “videogamistica”, isso anos antes da horrorosa versão de Game Boy Advance de Mortal Kombat. Pit Fighter é tão ruim que parece quase uma versão demo mal acabada que foi lançada as pressas, e sabe-se lá como conseguiu ser aprovado não apenas pela publisher THQ, como pela própria Nintendo. Sério, vejam por vocês mesmos:

Diferente da versão Mega Drive, que ficou o mais próximo possível da versão arcade, mantendo versões fieis dos (ridículos)inimigos, arenas, items e o absolutamente infame chefe final “The Warrior”, a versão SNES tem apenas 4 adversários que se repetem, duas arenas, e o mais infame de tudo: APENAS UMA PORCARIA DE MÚSICA QUE TOCA EM LOOPING DURANTE O JOGO INTEIRO. Acho que nunca entenderei como um jogo pôde ter sido feito de forma tão vagabunda e cara de pau. E isso sem contar os péssimos efeitos sonoros de gritinhos que mais pareciam dobradiças de porta, as animações com o mínimo de quadros, sprites desfocadas… Era vergonhoso a tal ponto, que mesmo a versão Master System tinha mais lutadores do que a constrangedora versão SNES.

Ainda me espanto com a picaretagem por parte da THQ em lançar por preço de jogo cheio um joguim que podia ser terminado em menos de dez minutos, feito mal e porcamente e ainda por cima cheio de bugs. Até mesmo aqueles cartuchos de rodoviária com 50 jogos em 1 tinham mais dignidade que esse Pit Fighter de SNES.

8in1
A única forma que alguém compraria uma porcaria como Pit Fighter

Por fim…

Talvez o único aspecto positivo em relação a todo esse lixo, é que pelo menos não gastei meu dinheiro com isso na época, e só conheci essa abominável versão na casa de um amigo que o havia alugado. Acho que a sessão de jogo durou menos que o primeiro video postado aqui. Também por felicidade do destino que já havia Street Fighter II para nos fazer ignorar completamente a existência de tal excrescência conhecida por Pit Fighter.

Talvez não tenha sido a toa que a THQ faliu há poucos anos.

AvcF – Loading Time.

 

One thought on “Bad Trip: Pit Fighter (SNES)

  1. A do Mega Drive era, ao menos, jogável (terminei no Mega Drive e no Arcade esse jogo; me lembro como se fosse hoje daquele final em que choviam notas de dólares no cenário e as putas saíam deste e faziam uma chupeta pro personagem que havia escolhido). E olha que numa dessas poderiam refazê-lo hoje (mais bem feitinho, é claro!) em um desses esquemas do tipo Kickstarter que andam fazendo hoje em dia. Digo… se até pra Shaq-fu andam arrecadando nesse esquema aí…

    E essa de lançar jogo incompleto no mercado não chega a ser tão exclusivo desse caso. Quem não se lembra daquele Super Double Dragon do Super NES, que só depois saiu no Japão mais completo, com algumas coisas mexidas/reviradas e com outro nome (Return of the Double Dragon) – só que ainda assim sem final…

    E tinha também o Super Street Fighter II: The New Challengers no final de 1993, que foi apressado pra conseguir tomar o mercado. Mas mesmo tendo mais golpes, personagens e uma placa nova (a CPS2 na época) comercialmente tava levando uma tunda dos rivais Samurai Spirits/Shodown, Garou Densetsu/Fatal Fury Special (esse foi mais no mercado japonês, na verdade) e PRINCIPALMENTE pro Mortal Kombat II. Daí no começo de 1994 a Capcom vai lá e me lança o Super Street Fighter II X: Grand Master Challenge, desta vez devidamente finalizado e com as atualizações na jogabilidade e velocidade necessárias.

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