Direto das catacumbas dos jogos: Kung Fu Louie (PC-DOS, 1989)

Saudações aos leitores.

De volta ao blog, aproveito para falar um pouco de um jogo que provavelmente vocês nunca ouviram falar, mas que mesmo totalmente desconhecido tem o seu valor. Buscando por referências e pesquisando jogos antigos, acabei relembrando de um jogo que tive há muitos anos e jogava antes mesmo de conhecer Street Fighter II, Kung Fu Louie vs. the Martial Art Posse (em português o título seria algo do tipo “Kung Fu Luizinho contra a gangue da arte marcial”). Então vamo que vamo.

Lançado em 1989, época em que filmes de ação era mais comuns do que técnicos demitidos do São Paulo, Kung Fu Louie tentava emular o estilo desses filmes com aquela manjada historinha de ter que provar sua capacidade em artes marciais salvando seu mestre.


Seu rival é o cara ali de cavanhaque e black power

Aqui a treta aconteceu porque o genial “mestre”(o velhinho, coitado, não tem nem nome) resolve que apenas um de seus melhores dicípulos poderia ser um mestre de kung fu, e mais genialmente ainda, resolve que eles tem que cair na porrada para ganhar tal título. Louie obviamente vence e em uma trama que seria considerada racista nos dias de hoje, seu amigo negro Arthur vira bandido, cria uma gangue (a tal “Martial Art Posse”) e desafia Louie para uma luta mortal. Não me perguntem porque o tal Arthur demorou dez anos para juntar uma gangue e crescer no ranking da criminalidade, mas seja como for, sobrou para Louie/jogador resolver a treta a salvar o amado mestre (by Rolando Lero).


Perfeitamente natural lutar contra um ninja azul em uma estação de metrô

Curiosamente, embora o jogo seja sobre kung-fu, Louie luta como um típico carateca. Isso porque o jogador além de se movimentar para a direita e a esquerda (não há pulo nem esquiva nesse jogo), possui quatro golpes que em nada se parecem com a arte marcial chinesa; sendo um soco direto, um chute baixo, um chute alto e um roundhouse kick – aquele mesmo, o chute giratório celebrizado por Chuck Norris. Embora a mecânica de jogo seja aparentemente simples, existem algumas variações possíveis nas estratégias de luta, pois o dano causado varia pelo golpe e pela forma como este atingiu o alvo. Portanto, não basta o jogador apenas sentar o dedo em um botão do teclado, pois os inimigos esperam a hora certa para entrar na guarda do jogador e aplicar o golpe certo. Surpreendentemente para um game tão antigo, é possível realizar combos combinando chutes baixos e altos e socos, e embora o roundhouse kick seja o golpe que causa mais dano, a lentidão em sua execução pode levar o jogador e tomar várias porradas de graça caso o aplique no momento errado.


Louie lutando contra um cara de quimono verde

Outra coisa interessante dentro da mecânica de luta de Kung Fu Louie é que a barra de energia é dinâmica, ou seja, não é aquela tradicional dos games de luta que só vai baixando conforme se sofre danos. A barra de KFL fica pulsando e somente diminui com sequências de golpes bem encaixados, se recuperando caso o lutador recue e deixe de sofrer golpes do adversário. Conforme a luta progride, a barra diminui sua recuperação, até o lutador sofrer o nocaute e ficar com com a cara esbugalhada no chão. Dessa forma Louie progride por quatro estágios cheios de inimigos, sempre em lutas um contra um (a Martial Art Posse deve ter sido a única gangue do mundo a ser tão ética assim) e o jogador tendo apenas uma vida. A dificuldade é crescente e cada inimigo é mais rápido e apelão que o anterior. No quinto e último estágio Louie finalmente cai na porrada contra seu ex-amigo, com uma luta no topo de um prédio.


A tela de Game Over não alivia para o lado de Louie

Dessa forma, Kung Fu Louie é um jogo bem curtinho, daqueles que se termina em “uma sentada”, porém sempre achei divertido quando joguei – até tentando criar variações como tentar terminar o mais rápido possível ou matando todo mundo só na base do Chuck Norris style. Considerando sua obscuridade, duvido que Kung Fu Louie tenha feito algum sucesso e tampouco deve ter tido alguma continuação. Porém, dada a falta de jogos de luta para computadores, seria bacana que Louie tivesse mais gangues para enfrentar em jogos posteriores.

Caso queiram matar a curiosidade, Kung Fu Louie está disponível no site abandonware, (além de centenas de outros jogos de DOS) bastando ter o programa DOSBOX para rodá-lo. Acho que vocês vão gostar do jogo.

E vou ficando por aqui, pessoal. Mais posts durante a semana. Até mais.

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