Duke Nukem Forever e o momento “eu já sabia”

Saudações aos descricionários.

Pois é amigos, infelizmente foi um desastre anunciado. Tantos anos, trocas de engines e direção, além de mudanças de projeto; não poderiam resultar em algo positivo. É com certa tristeza que falarei daquilo que resultou em Duke Nukem Forever, ou se preferirem, na destruição de um clássico. Acompanhem:

Existe uma frase que diz que (ao contrário do mantra politicamente correto) de onde menos se espera é onde não sai nada mesmo. Desde que vi pela primeira vez uns materiais da enésima versão alfa de Duke Nukem Forever, era evidente que não poderia resultar em coisa boa. Cheguei a escrever um post a respeito em 2009, em que cheguei a comparar DN Forever a Chinese Democracy, aquele album medíocre e sem graça que só saiu devido a insistência do egocentrico e decadente Axl Rose. Olhando hoje e após perder tempo jogando, percebo que tal comparação faz mais sentido do que nunca. Assim como Chinese Democracy não tem quase nada de Guns and Roses além de seu vocalista, Duke Nukem Forever pouco se relaciona com o game original senão pelo Duke e suas tiradinhas adolescentes. Por falar nisso, o único momento que eu esbocei um leve sorriso foi com a piada metalinguística após a primeira fase.

Call of Duke

De cara, digo que Duke Nukem Forever sofre do mesmo mal que o recente remake de 007 Goldeneye Wii sofreu, aquilo que chamo de “callofdutização”. O sucesso da fórmula empregada pela franquia da Activision criou um fenômeno entre game designers de outras empresas, que ao que perece se sentem obrigados a seguir a cartilha de Call of Duty. Não que tal fórmula seja ruim, pelo contrário pois funciona, mas será que os jogos de tiro não podiam ter um pouquinho de originalidade? Para minha tristeza, Duke Nukem também caiu nessa mesma vala comum, tornando-se apenas um medíocre imitador de CoD com skin própria. Para quem jogou Duke Nukem em 1996 (como eu, por exemplo) trata-se de uma afronta, um acinte ao design original, pois a “callofdutização” tornou Duke Nukem Forever o oposto do que o game original era. O Duke Nukem de 96 não era uma mera cópia de Doom, pelo contrário, era um game maior, melhor e mais variado. Era um game sobretudo de exploração, com fases cheias de passagens secretas e caminhos alternativos. As armas também serviam como ferramentas para acessar esses segredos, como a famosa shrink gun ou mesmo a RPG que servia para explodir pontos estratégicos, revelando locais antes inacessíveis.

Tudo isso foi jogado fora em Forever. As fases são óbvias, lineares e até meio curtas. Para afetar alguma variação no gameplay, uns quebra-cabeças idiotas foram inseridos em alguns pontos, só para dar aquela recheada na experiência de jogo. Além disso aquele insosso esquema de energia auto-recarregável e a possibilidade de poder portar apenas duas armas também estão presentes, limitando a já fraca experiência de jogo. Ainda bem que até onde joguei não teve aqueles ridículos momentos pseudo-cinematográficos com câmera lenta; pelo menos isso. Entretanto, os inúteis diálogos de NPCs elaborando “planos de guerra” e vindo com aqueles papinhos de “Duke, você é nosso homem, chute a bunda deles” e/ou “raptaram nossas mulheres, você sabe o que fazer” não têm a menor graça e até conseguem encher o saco. O pior de tudo é que ao contrário dos soldados de Call of Duty, os inimigos de Forever se resumem a um bando de debilóides que correm e pulam na sua frente como se não houvesse amanhã. Esse tipo de comportamento artificial era aceitável em 1996, mas é simplesmente ridículo um game de 2011 conter esse tipo de expediente.

Pô, como assim?

O que não consegui entender mesmo foi como depois de tanto tempo ainda conseguiram a proeza de entregar um game bugado. Texturas que o jogo esquece de carregar (ou carrega com perceptível atraso), ignorância à lei de Newton (dois corpos não ocupam o mesmo espaço), momentos de “Ghost: Dou outro lado da Vida”, e por aí vai. Como diabos depois de quinze anos coisas assim ainda acontecem? Se duvidam, vejam por vocês mesmos:




Deixando os bugs e glitches de lado, o que é aquela horrível mecânica do carro? Sério, pra quê aquilo? Só para ter imitado alguma coisa que não fosse de CoD? Além do carro ser ridicularmente leve para o tamanho que tem, a ridícula física de jogo passava a impressão de que se dirige sobre uma pista ensaboada. Bem ruim mesmo. Somando esse tipo de detalhe aos gráficos e sons medíocres, temos um conjunto técnico dos mais mixurucas – ainda mais pelo tempo que esse jogo levou para ser lançado.

Duke Nukem Forever…alone

Um dos pontos fortes do Duke Nukem original era seu divertido e completo modo multiplayer tanto em rede (lan) quanto online. Mesmo com as limitações que a lerda e instável internet de 56K oferecia, a experiência era muito divertida e variada. Basta perguntar para quem jogou na época. Já a versão atual se resume ao que qualquer outro jogo de tiro atual já tenha, no máximo com variações bobinhas como capturar garotas no lugar de bandeiras. Enfim, algo sem graça para qualquer um com idade mental com mais de dois dígitos.

Rardecoridade que cansa

O que parece que os responsáveis pela produção de Forever confundiram, é que o Duke Nukem original não se tornou um clássico por causa de Duke, e sim tendo ele como um dos destaques do pacote. Por trás do protagonista havia um game sólido, desafiante e divertido. Em uma hipotética escala de importância, Duke é apenas um elemento secundário, cuja personalidade propositalmente canastrona e seu machismo satírico completam a diversão proporcionada pelo jogo em si. Se Duke tivesse sido substituido por qualquer outro personagem, o Duke Nukem de 96 teria sido o mesmo ótimo shooter que foi. Todavia, parece que a Gearbox inverteu essa lógica, colocando Duke com suas frases batidas como o elemento principal e o resto em segundo plano. Parece também que achavam que bastaria jogar um estilo rardecore em Duke, como a já citada callofdutização e piadinhas com Halo, para que os jogadores corressem às lojas ávidos por uma cópia de DN Forever. Mas Não é bem assim que funciona.

Considero mesmo uma pena Duke Nukem Forever ter terminado assim, pois além de ter sido jogador da versão dos anos noventa, a depender do desempenho comercial Forever pode significar The End. Com tantos clones de Call of Duty no universo dos jogos de tiro, Duke poderia e deveria justamente ser um sopro de originalidade. Mas infelizmente não foi o que aconteceu. Sua mecânica sem personalidade, pretensa rardecoridade e suas piadas velhas e juvenis não convencem. Uma pena mesmo. Não foi dessa vez

Abraços e até o próximo post.

AvcF – Loading time.

8 thoughts on “Duke Nukem Forever e o momento “eu já sabia”

  1. Como assim? O jogo saiu mesmo??!!?!Non creo!
    Chinese domocracy, Duke Nukem Forever… agora só falta o ultimo episódio de Caverna do Dragão e o mundo já pode acabar! 2012 é mesmo O FIM!
    Falando sério, eu acho que isso tudo é uma falha da Matrix, não acredito que o game tenha sido lançado.Só quando os porcos voarem…

  2. Só mesmo uma pessoa que acredita em coelhinho da páscoa , ou em papai Noel seria capaz de achar que esse jogo daria certo.
    Outra coisa , tudo o que não se precisa atualmente é de um novo FPS , essa geração já esta saturadíssima de jogos deste gênero , e jogos de qualidade como Call of Duty , Killzone, Bioshock, Halo , entre outros.

  3. Decepção imensa essa…. Mas, o que esperar de Duke Nukem Forever? Na sua época, ele foi um jogo épico e único, que trouxe um nível de exploração e interação jamais vistas na época. Esse foi seu trunfo, foi no que ele inovou e levou-o a acensão. O personagem, os inimigos e a história eram fatores completamente dispensáveis. Eu mesmo nunca vi graça em Duke, nos inimigos e no machismo exagerado ao extremo. Duke Nukem 3D trouxe algo único em sua época. Hoje em dia, não tem nada de novo à trazer.

  4. Concordo com a comparação com o Other M. O que mata é que nesse meio tempo poderiam ter lançados muitos outros jogos (bons) na franquia, e isso não ocorreu.

  5. Sobre a citação da Gearbox no final: a Gearbox apenas finalizou o jogo que estava quase pronto, e deu um polidinha e tal pra lançar logo.
    Quem fez o jogo mesmo foi a 3DRealms, e se alguém é culpada por DNF ser como é, é ela mesma, a 3DRealms criadora do idolotrado Duke Nukem 3D.

  6. Pôxa, eu joguei e adorei o Duke Nukem 3D, em 1996 mesmo. Tinha muitos elementos inéditos em jogos FPS, incluindo aí os terremotos, o jetpack, o inventório, e muito mais. Eu dava voltas e voltas em uma fase para descobrir como passar, e nem assim desistia. É um jogo muito divertido.
    Eu esperava que o Forever seguisse a mesma linha de exploração. Como isso pode ser tão difícil? Eu prefiro um jogo em que você simplesmente passa das fases, em vez de parar o tempo todo para ver cutscenes.
    Será que vão lançar um MOD decente? Porque até um MOD seria melhor que este jogo.

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