Game contraste: Beyond Oasis (Mega Drive)

Game contraste: Beyond Oasis (Mega Drive)

Saudações aos leitores.

Como parte do processo de, digamos assim, renascimento do blog, resgatei um tipo de post que estava há anos sem fazer, o Game Contraste. Para quem é novo ou não se lembra, explico rapidamente:  trata-se de analisar o contraste entre a qualidade dos jogos e suas capas, mostrando jogos ruins com capas bem desenhadas e vice-versa. Vocês podem ver os demais textos desse tipo no cabeçalho do blog, no alto da página.

Dito isso, o tema de hoje é o clássico de Mega Drive (ou Genesis, a depender do gosto do freguês) Beyond Oasis, chamado em discussões internéticas por aí de “Zelda do Mega Drive”.  Lançado em 1994 pela Sega e produzido pela Ancient (responsável por Sonic de Master System e Game Gear e por Streets of Rage 2),Beyond foi um dos últimos clássicos do já claudicante Mega Drive, que embora fosse obviamente muito inferior aos recém lançados Sega Saturn e Playstation, não fazia feio em relação aos jogos 2D dessas plataformas de jeito nenhum. Primeiramente porque os gráficos eram excepcionais, com sprites bem detalhadas, boas animações e efeitos, uma paleta de cores que conseguiu driblar a limitação do console nesse aspecto, e também por conta da bela direção de arte que o jogo possuia. O capricho da produção foi tal,  que mesmo os detalhes marginais dos cenários foram bem desenhados.

Embora a mecânica de action RPG tenha imperfeições e o jogo seja curto em comparação com outros jogos do mesmo gênero, Beyond of Oasis foi um jog muito bem avaliado na época, fazendo mais sucesso de crítica do que de público. Talvez uma das razões para isso tenha sido o desleixo e a preguiça impressos na caixa de jogo:

Tudo bem que as versões japonesa, com sua arte de anime genérico, e europeia com visual de banda metal vagabundo não são muito melhores, mas a ilustração sem vergonha acima não deve ter feito NINGUÉM ter ficado com vontade de experimentar o jogo. Além da enorme borda vermelha à esquerda que berra “ANOS 90″(os jogos mais antigos do Mega Drive não tinham, podem reparar), o azulzinho estilo “Photoshop level 1” já começa matando a capa, mais escura e fria do que deveria. Por outro lado, em algum momento alguém deve ter sugerido que a capa precisava ficar mais radical, e provavelmente essa foi a única razão além do mal gosto puro e simples para a adição dos rainhos ridículos e da fumaça saindo de um dos vulcões. Para completar a infâmia da capa esse balão de texto estilo Power Point com o exagerado “Largest Adventure Game EVER for Genesis!”, além de feio e desnecessário, é mentiroso, pois jogos como Phantasy Star e Shining in the Darkness são mais longos que Beyond Oasis.

Mas o elemento mais ridículo é sem dúvida aqueles olhos pseudo malignos no alto da capa. Primeiro que eles parecem um tanto apertados a ponto de sugerir mais prisão de ventre do que intimidação, fora que em nada representam o conceito do vilão presente no jogo. Claramente é mais um caso de trabalho apressado feito por alguém que não tinha idéia – e nem se importou em ter – do que se tratava o jogo.  Com uma apresentação pobre assim em adição à pouca divulgação que teve à época, não foi a toa que Beyond Oasis foi mais um jogo do Genesis que foi eclipsado pelo sucesso de Donkey Kong Country.

Uma pena, pois Beyond é um dos grandes games da era 16-bits, e merece ser jogado nem que seja via emulador. Mas com uma capinha dessas, não houve santo que ajudasse.

 

AvcF – Loading Time.

 

2 thoughts on “Game contraste: Beyond Oasis (Mega Drive)

  1. Tá certo que as representantes daqui na época (Tec Toy e Playtronic/Gradiente) não apitavam absolutamente nada, mas… é nessas que vez ou outra deveriam dar mais oportunidade aos artworks japoneses do que à esses xexelentos made in USA…

  2. A capa é horrenda, concordo. Mas na verdade a penúltima batalha do jogo (contra um espírito sombrio) envolve sim um par de olhos parecidos com os da capa. É inclusive necessário acertá-los com a manopla para liberar um terceiro olho, que é o ponto vulnerável do vilão.

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