Game Contraste: Phantasy Star (Master System)

Saudações aos leitores.

Vamos voltar a falar um pouco de games? No post de hoje falarei um pouco sobre aquele que é provavelmente o maior clássico do finado Master System, que só para variar, foi muito mal ilustrado: Phantasy Star. Aproveitem.

Em razão do meu começo como desenvolvedor de jogos (olhem só…), eu tenho estudado games antigos com o intuito de dissecar seus designs, ou seja, ver posicionamento de inimigos, level design, ajuste de dificuldade, interface, etc. Creio que esse tipo de estudo é bastante útil para o desenvolvimento dos atualmente populares games para smartphones (iOS e Android, por exemplo) e web browser (como o recente formato HTML 5), pois por razões que vão desde ausência de botões até limitações de memória e processamento, possuem estrutura bastante semelhante a muitos games da era 8 e 16-bits – e muita gente nem se dá conta disso, acreditem. Então, dando um jeito aqui, arrumando acolá, vou pegando games e consoles antigos, sendo o Master System a minha mais recente aquisição. E junto arrumei um game, conseguindo achar um Phantasy Star em perfeito estado – e com direito a poster da Sega dentro. Não sei se já disse antes, mas é incrível como a experiência de jogar um jogo (desculpem o pleonasmo) da forma como fora originalmente concebido é algo muito distinto de simplesmente baixar um emulador e, na melhor das hipóteses, arrumar um controle genérico para ajudar a mimetizar a sensação de jogar tudo original. Nada contra emulador, são realmente úteis e já ajudaram a resgatar muitos games esquecidos, porém na minha opinião jamais se equiparão aos jogos em seus formatos originais.

Falando do jogo em si, confesso que tinha certo receio antes de começá-lo, pois nunca o havia jogado, nem mesmo na época que eu tinha acesso ao Master System tanto em locadoras quanto em casas de amigos. Pensei comigo “será que morri uma grana em um troço injogável ?(para o padrão atual, claro)” Para piorar a situação, assim que chegou o pacote do correio dou de cara com a caixa do jogo e…“MEL DELS”, como diria aquele narrador do Sportv. Além daquela onipresente grade que acaba com qualquer chance de boa estética nas capas de jogos do Master System, a ilustração de Phantasy Star é ruim de dar dó. A protagonista do jogo, Alis, até que está corretamente representada (embora não exista uma espada flamejante no jogo), porém ganhou uma bizarra cara de apresentadora de programa infantil. Mais bizarro ainda é o inimigo atrás dela, em uma posição estranhamente sugestiva, se é que vocês me entendem. No plano mais ao fundo da imagem mais dois protagonistas estão porcamente representados, sendo o mago Noah à esquerda e o guerreiro Odin à direita. Noah, além de estar com tamanho e perspetiva errados, ainda sofre de microcefalia, coitado. Já Odin faz uma pose muito estranha para levantar uma das caveiras mais mal desenhadas que já vi. A cereja do bolo fica com o pobre gato Miyau, horrivelmente retratado como uma pequena fera pré-histórica. Sério, acho que o desenhista sequer ligou o jogo ou procurou saber mais do que seu trabalho se tratava, pois caso o fizesse, jamais desenharia aquelas medonhas presas salientes que fariam muito mais sentido em um javali ou até mesmo um tigre dente de sabre.

Enfim o jogo

Passado o susto inicial com a péssima capa do jogo, enfim liguei o game para saber qual é a de Phantasy Star. Sempre citado como um dos melhores RPGs de seu tempo e sempre nos top 5 de Master System, tinha curiosidade em saber se o jogo ainda seria isso tudo mesmo. E se querem saber, digo logo: Phantasy Star envelheceu dignamente.


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Considerando o padrão 8-bits, as cidades, vilas e os grandes mapas são bem representados, claro que graficamente tudo bastante humilde, mas ao mesmo tempo claro e funcional. Mas o brilho do jogo ocorre mesmo durante as batalhas e nos calabouços. Durante as lutas são exibidas sprites grandes e detalhadas dos inimigos, que diferentemente do padrão da época, possuiam animações. Mesmo os inimigos comuns, como caveiras, vespas e escorpiões, tinham golpes animados.Há também que se notar a grande variedade de monstros presentes no jogo (embora boa parte sejam sprite swaps). Mas sem dúvida nenhuma o grande gameplay de Phantasy Star fica por conta de seus calabouços.


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Conseguir implementar essa mecânica de foco interno (o nome chique e mais correto para “primeira pessoa”) além de um feito notável por parte da equipe de produção, também foi a mais eloquente mostra da capacidade técnica do Master System, infelizmente bastante subaproveitado na maior parte dos demais jogos do Master. Alguns jogos de NES até tentaram usar recurso semelhante (como as base stages de Contra), porém sem o mesmo nível de precisão e controle dos calabouços de Phantasy Star.

Mas o jogo não se resume a aspectos técnicos, a aventura apresentada é grandiosa e épica a ponto de se expandir por três planetas, lutas contra vilões mitológicos como a Medusa, Titans, Golens e Dragões alados, e o que considero o mais importante, liberdade de exploração (coisa que faltou a um certo jogo recente da Nintendo, se é que me entendem…). E por falar em planetas e monstros, a Sega foi muito hábil em mesclar a fantasia medieval típica dos RPGs com elementos tecnológicos típicos de ficção científica como naves espaciais, pistolas laser, cidades conectadas por esteiras rolantes e espaçoportos. Essa mescla também era aparente nos próprios inimigos, pois além dos citados acima, ainda havia robôs guardiões e soldados que guardavam a cidade usando um traje pra lá de copiado dos Storm Troopers de Star Wars.


Propaganda da versão da Tec Toy, que foi legendada para o português

Como todo RPG que se preze, Phantasy Star também possui uma pletora de side quests opicionais, necessários caso o jogador queira os melhores equipamentos dos protagonistas. Invariavelmente terminam em complicados calabouços, que por não possuirem qualquer tipo de mapa, podem rapidamente se tornarem labirintos mortais. Por falar nisso, o leitor apressado porderia dizer “tá vendo, isso é coisa de jogo arcaico”, porém como o próprio game oferece ferramentas para sair dos calabouços (há items para sair automaricamente deles, um item para escapar de lutas e ainda uma magia de um pergonagem), é perceptível que isso se tratava de uma decisão de design, algo proposital. Percebi isso pouco depois que comecei o jogo, pois os dois primeiros calabouços eu passei “no automático”, porém quase me ferrei em certa oportunidade, e se não estivesse com Noah e sua magia EXIT, eu tinha perdido horas de jogo. Você pode salvar a partida, claro, porém Phantasy Star tem o espírito old school de não aliviar a barra de jogadores descuidados.

Por fim…

Ainda bem que um luvo não pode ser julgado pela capa, não? Pois fiquei bastante satisfeito quando terminei Phantasy Star, pois além de ter sido uma experência ótima, eu finalmente pude conhecer um grande clássico da era 8-bits. Em geral foi um game com bom nível de desafio (tanto para sobreviver aos calabouços quanto para descobrir como prosseguir), e bastante agradável. Ótimos gráficos e uma trilha sonora muito boa também embalaram minhas horas de jogo. Quem sabe um dia, quando puder, conhecerei as sequências que sairam para Mega Drive/Genesis. Por sinal, PS II, III e IV foram bem melhor retratados que o orginal de Master System.

Pena que a Sega fez o favor de estragar a série com pavorosos MMOs. Preferia que a série fosse lembrada apenas pela saga de Alis e seus decendentes.

E por hoje é só, pessoal. Até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

5 thoughts on “Game Contraste: Phantasy Star (Master System)

  1. Ótimo post, eu joguei esse game na época e realmente é muito difícil, fiquei quase um ano jogando e não terminei hehe. Quanto a experiência do game ser melhor da forma original, concordo plenamente, é a mesma coisa que assistir um filme que foi projetado para o cinema. Por mais equipamentos modernos que vc tenha que simule a experiência do cinema, nada será igual a assistir ao filme dentro de uma sala de projeção. Com os games acontece o mesmo, por melhor que seja o emulador, sempre será melhor jogar o game na forma que foi planejado, no console!!!!

  2. avcf, lembro em um post você dizer que não tinha jogado Dragon Quest. Na época eu também não tinha jogado, mas acabei jogando o Dragon Quest IX de DS, o jogo é realmente bom, várias quests, equipamentos, classes e outras características de RPGs que foram bem elaboradas. O jogo foi desenvolvido pela Level 5, a mesma de Professor Layton

  3. Meu sonho de infância realizado foi um game que comprei recentemente Sonic’s Genesis Ultimate Collection (Xbox 360), nele tem cerca de 50 games do Genesis em sua forma original e com um simples click em HD remastered, nele vem incluído os maiores clássicos daquela geração, o PS do Master como bônus, PS 2,3 e 4 (o 2 é considerado o mais difícil) enfim clássicos como Streets of Rage 1,2,3, Golden Axe 1,2,3, Shinobi 3, Alex Kidd E.C., Kid Chameleon, Todos os Sonics do Genesis, Altered Beast, Beyond Oasis, Comix Zone, Ecco 1 e 2 e muitos outros que não recordo agora.

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