Game Contraste: Street Fighter Alpha (Arcade, Playstation e Saturn)

Saudações aos mestres.

Retornando das catacumbas desse honorável blogue, vamos a mais um game contraste. Desta vez porém, trata-se de um game uma geração mais recentes em relação àqueles dos últimos posts dessa seção. Quem mandou a Capcom ferrar com a imagem de seus games. Bem, as always cliquem no famoso link. E vamo que vamo.

Entre todas as séries de jogos que a Capcom em todos esses anos nessa indústria vital, sem dúvida a mais influente delas é Street Fighter. Ok, o primeiro game foi ruim, mas o que importa que o segundo foi o fenômeno e o resto vocês sabem bem. Depois de explorar Street Fighter 2 de todas as formas possíveis (5 jogos, duas séries animadas, uma horrível série em quadrinhos e por aí vai), em 1995 finalmente a Capcom resolveu lançar um jogo novo da série. Ao invés do aguardado Street Fighter 3 (se só foi lançado uns dois anos depois), a Capcom lançar um spin-off chamado Street Fighter Alpha, com direito ao sub-título cafona “Warriors’ Dreams”.

Deixando de lado esses pormenores, o fato era que finalmente havia um Street Fighter novo na praça, com sprites, cenários e animações novas, mecânica de jogo modificada e trilhas sonoras inéditas. Após quatro anos atualizando o mesmo arroz com feijão de sempre, finalmente a Capcom produziu um jogo novo de fato. E fez isso muito bem.

Como Alpha é cronologicamente anterior a Street Fighter 2, os personagens principais parecem mais novos, mais juvenis mesmo. O mais interessante mesmo foi que Alpha foi uma desculpa perfeita para o retorno de alguns personagens esquecidos de Street Fighter, como Adon e Birdie, além da introdução de alguns de Final Fight (sabiam que Final Fight era para ser chamado de Street Fighter 89?) como Guy e Sodom. Falando especificamente da mecânica, o sistema de combo foi sensivelmente melhorado, incluindo os super combos – bem melhores que aquelas coisas desajeitadas do Super Street Fighter 2 Turbo. Para dar um exemplo, dependendo da graduação do botão usado para o super (ex:soco fraco ou médio), a força e a duração do golpe varia, adicionando assim possibilidades diversas para o encaixe dos supers em combos.

Não poderia passar em branco quanto algumas novidades que viraram padrão nas sequências dessas sub-série (e até em outros jogos), como defesa aérea e a defesa automática (aquela opção que você geralmente ignorava logo após selecionar o personagem), rolagem e por aí vai. Em geral era um game equilibrado, com várias propostas de gameplay espalhadas pelo plantel dos personagens. Quando queria sair da mesmice de Ryu/Ken/Chun-Li, eu gostava de jogar com o Guy ou o Adon.

No aspecto gráfico e sonoro, foi uma bela evolução em relação a STF2 Turbo. Os persoagens eram bem animados, os cenários tinham mais movimento, e a trilha sonora embora não contasse com nenhuma faixa icônica, tocava com a qualidade do chip Q-Sound (lembram daquela musiquinha?). O caminho rumo a conversão para os consoles era óbvio, já que Playstation e Saturn aguentavam o a placa CPS 2 numa boa (ok, o Playstation não era tão numa boa assim, mas segurava as pontas). Mas infelizmente houve um problema sério nesse caminho: a medonha capa escolhida para ambas as versões. Sério, por quê? Alguém me explica como uma ilustração tão ruim pôde ter sido aprovada? Isso porque se pergarmos ilustrações promocionais de Streets anteriores, achamos facilmente coisas melhores. Aliás, o próprio cartaz da versão arcade de Street Fighter Alpha tem um desenho melhor.

Agora vamos analisar o desastre mais de perto. A primeira bizarrice sem dúvida foi o Ryu posicionado no primeiro plano de figura, com sua estranha expressão de chinês vendedor de produtos eletrônicos da Santa Efigênia (quem é de São Paulo sabe do que estou falando); além de sua forçada pose para execução do Hadouken (reparem a altura do cotovelo esquerdo do Ryu). O segundo elemento equivocado da composição certamente é o Ken, primeiro porque ficou muito tosco ele “sangrando”(na gíria do design significa quando uma figura invade parte do espaço da outra) o logo do jogo. Esse recurso é bastante utilizado em capas de quadrinhos, e quando bem implementado gera efeitos interessantes. Mas no caso aqui só evidenciou o mau posicionamento das figuras dentro da composição. Além do mais, nota-se que há um evidente erro de perspectiva, o que fez com que nosso glorioso Ken ficasse com a perna curta. Aliás, olhando logo ao lado, por que diabos a Chun-Li está com aquela expressão de horror? Seria uma mensagem subliminar mostrando arrependimento do próprio desenhista quanto a ruindade de seu trabalho? Prefiro não saber.

Depois temos Charlie e Rose sem qualquer função na composição, mais inúteis do que figurantes de novela (percebam o ar blasé da Rose, por exemplo). Porém indubitavelmente o mais trash do conjunto é aquela figura gorda e distorcida do M.Bison na parte superior da figura. Mesmo que tivesse sido desenhado por uma criança do primeiro ano do ensino fundamental, não caberia outra reação que senão o riso diante dessa espécie de “Bison Gasparzinho” – com aquele sorrisinho no melhor estilo Gengar. Afinal, se o sentido dele era alguma coisa no estilo “a sombra do último chefe pairando sobre os lutadores de rua”, não poderia haver mais fail do que essa coisa que ficou aí na capa do jogo. Ah sim, e o kanji do Akuma jogado de forma aleatória no chão à esquerda só completa o desastre total que foi a capa desse jogo.

Felizmente os jogadores não se deixaram levar pelo horrível design da capa e curtiram um bom jogo. A sub-série Alpha ainda ganhou mais dois excelentes jogos, tudo correu no seu devido curso. Mas bem que a Capcom podia ter passado sem essa. Entre os altos e baixos da programação visual dos games Street Fighter, essa capitcha de Alpha certamente foi um dos mais baixos. Ainda bem que a ruindade ficou circunscrita a embalagem.

Abraços e até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

14 thoughts on “Game Contraste: Street Fighter Alpha (Arcade, Playstation e Saturn)

  1. A capa não apareceu aqui, então recorri ao oráculo, muito horrorível mesmo. Quanto ao jogo lembro da máquina nos bote… casas de jogos quando saiu, todo mundo babava nos novos recursos.

    Comentário do AvcF: foi algum problema no servidor do Uol Mais (onde hospedo as imagens). Agora acho que está tudo aparecendo.

  2. Concordo quanto ao fato de que as artes para as capas estadunidenses são mesmo uma desgraça – e essa de Street Fighter Alpha não é exceção.

    Quanto ao jogo em si, os 4 jogos da śerie Zero/Alpha (incluí aí o update Street Fighter Zero 2 Alpha/Alpha 2 Gold) são sim muito bons (em especial o 3), mas o traço e temática como um todo mais “juvenis” (como o próprio AvcF disse) não me apetecem mesmo. por isso eu prefiro as 3 versões de Street fighter II, por possuírem temáticas, traços e jogabilidades com uma rebuscagem muito maior – sem falar que são “cult” atualmente. 😀 😀 😀

  3. Pow esse ai eu joguei bem pouco, só uma ou duas vezes… Mas o clássico street fighter alpha two eu joguei muito tanto nos “fliperamas” quanto, posteriormente, em casa no saturn… Em jogos 2D o saturn humilhava o psx…

  4. eu gosto de jogs de luta, tekken e kof pra mim sao mais divertidos,mas dos street fighter,o q mais joguei concerteza foi o sfa3.
    Pra mim um dos jogos de luta mais divertidos ja lançados!

  5. Deve ter sido feito pelo mesmo desenhista da capa do megamam 1! Notem os traços toscos e desalinhados! Agora falando sério, que capinha feia viu?! A Chun-li secou as pernas, o Ryu ficou estranho, aliás todos ficaram… O Bison virou um fantasma quase imperceptível por sinal, quase nem notei ele. Fora que o estilo é meio desenho-realista que não curto muito.

  6. Jamais concordarei tanto com você quanto em relação a esse Game Contraste…

    Nunca entendi qual o problema dos americanos em aceitarem que as ilustrações japonesas eram melhores que suas porcas tentativas…

    Se ainda pedissem uma mão a desenhistas ou artistas de verdade, como Jim Lee e Alex Ross beleza…mas era sempre assim…saia um jogo japonês bacana, a gente esperava o lançamento americano e ae eles arrebentavam a capa…

    A vezes fico pensando se não foi uma tentativa de frear a percepção do consumidor em relação ao mangá e anime japonês já que pelo menos o segmento de quadrinhos americanos era dominante naquela época…

    E é engraçado notar também que isso aconteceu em praticamente todas as gerações de videogames e ainda se repete, mas agora com um novo agravante…algutinação de ilustrações singulares de personagens em uma só capa…

    Foi o que aconteceu na geração posterior ao Playstation e Saturn com as capas americanas de Marvel vs Capcom 2 para Playstation 2, Dreamcast e XBOX e agora mais recentemente com o Super Street Fighter IV para Playstation 3 e XBOX 360…

  7. caaara, qdo esse jogo saiu…. eu matava aula pra ficar jogando…. até minha mãe ir me buscar na escola pra me pegar! hahahaha
    aí trocaram a máquina para a zero 2 alpha…. amava segurar os 3 botões de chute e dar start pra jogar com 2 krinhas! =D pena que o final era mais tosco, mas gostei pra krmba!!! =)

  8. Corrigindo: disse que preferia as 3 versões de Street Fighter II (que naquela época eram 5), mas eu quis dizer Street Fighter III (se bem que em relação/comparação á Street Fighter Zero eu também prefiro ao menos umas 2 ou 3 versões de Street Fighter II). Sei lá, a estética/concepção das 3 versões de Street Fighter III me parece um tanto mais rebuscada e, digamos, mais “madura” do que nos 4 jogos de Street Fighter Zero – é mais “troo ! 😛

  9. A trilha sonora do Street Fighter Zero/Alpha 2, na versão dos consoles, é muito bacana. Da versão arcade não (as músicas são as mesmas, mas com sintetizadores diferentes, que fizeram toda a diferença).
    Joguei bastante o Alpha 2 do Playstation, um clássico para mim.

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