Game Contraste: The Crow: City of Angels (PC/Playstation/Saturn)

Saudações aos taciturnos.

Aproveito essa aprazível sexta-feira para descarregar a lenha em mais uma porcaria de duas gerações atrás: The Crow, para Playstation (também lançado para PC e Saturn). Mais um joguete baseado em filme que só serviu para ocupar espaço e gastar à toa uma midia virgem e recursos do planeta para confecção da caixinha e manual. Acompanhem:

Ao escrever apenas uma palavra eu poderia encerrar esse post: Acclaim.

É isso aí, bom fim de semana a todos e até o próximo post.

André V.C Franc….

Estou brincando, amguinhos. Para quem é leitor do Loading Time já a algum tempo é notório o quanto gosto da Acclaim e seus maravilhosos games. Não é preciso ser bidu para saber que The Crow foi apenas mais um dos lixos licenciados lançados para consoles (e nesse caso para computadores também). Baseado no filme de ação de 1996 (sequência de O Corvo original, de 1994 – que gostei na época – pena que City of Angels e as demais continuações são fracos), o game foi lançado um ano depois para consoles e PC pela enfadonha e grotesca Acclaim. Quando falamos de games ruins baseados em filmes, normalmente falamos de jogos com tempo de produção curto, baixo orçamento e pouco ou nenhum capricho. Mas esses games normalmente são apressados para que possam sair junto dos filmes, como apenas mais uma engrenagem da máquina de marketing montada para promover as grandes e médias produções hollywoodianas.

Talvez baseados nessa filosofia, o pessoal da famigerada Acclaim investiu alguns trocados na produção gráfica responsável por vender o jogo (basta vocês olharem para o belo poster abaixo e perceberão isso). A capa entrega muito bem o clima soturno e caótico que o filme tinha, além de mostrar toda a solidão e isolamento do anti-herói Eric Draven em sua pose introspectiva. Embora a imagem não esteja com boa qualidade, nota-se como a pouca luz foi muito bem usada, dando a noção de profundidade e integração em relação ao fundo da imagem. Além de destacar o rosto e a mão do personagem, criou-se uma relação bem legal com o resto do corpo que se funde a coluna do prédio, como uma silhueta única. Assim forma-se uma relação “gestautica”, com a figura (personagem) descolando-se do fundo (uma possível coluna com uma estátua de gárgula logo abaixo). O alaranjado das luzes da cidade bem ao fundo do plano inferior da capa, em soma com algumas das núvens de mesma tonalidade, dá um toque de calor a sombria e fria composição geral. Isso tudo, provavelmente com a boa impressão de quem já tivesse assistido ao filme (que repito, era um filme de ação bem bacana), devia ser o suficiente para comprar o jogador e fazê-lo ao menos querer experimentar o joguete.


Talvez um slogan mais honesto fosse algo como “3-D fighting with drunken jerks” ou “3-D fighting with a character that moves more stiffly than a robot toy”

Se fosse esse o caso de ser apenas mais uma daquelas porcarias instantâneas feitas a toque de caixa, eu humilharia o jogo aqui do mesmo jeito, mas até consideraria dar um desconto. Quer dizer, ou não. Ah vocês entenderam. Mas voltando a The Crow, o game saiu três anos depois do filme, o que a principio eleminaria o problema mencionado no parágrafo anterior. É o caso, por exemplo, de 007 Goldeneye que também saiu bem depois do filme. Mas ao contrário do clássico da Rare, The Crow saiu-se uma bela porcaria, e mesmo que a Acclaim tivesse uns 37 anos para fazer o game, o resultado não seria muito diferente. Até mesmo porque The Crow é um desastre em todos os departamentos possíveis em que um jogo pode ser analisado. Uma coleção de decisões equivocadas. Para início de conversa, algum gênio decidiu recriar as cenas de filme em horríveis animações 3d que mais pareciam um teatro com fantoches bêbados controlados por alguém com crise de artrite. Se duvidam, olhem isso:


Que abertura! Que abertura!

O resto do jogo segue nesse esquema deprimente de tão ruim, com péssimos gráficos, animações dos personagens piores do que boneco de dar corda (o personagem controlado pelo jogador parecia o Chapplin andando), e um gameplay super profundido e inspirador: bater em um ou dois bonecos idiotas controlados pelo computador, esperar aparecer o sinal do corvo no chão e bater em mais um ou dois bonecos idiotas. No meio disso temos várias telas de loading para encher (ainda mais) a paciência, além de um dos piores sistemas de combate que já vi em um videogame. A ação é tão ruim que junto daqueles efeitos sonoros exagerados fica parecendo cena de luta de comédia pastelão. Contribui para essa impressão o comportamento lesado dos bonecos do computador. Acho que uma trilha sonora reggae daria um tom mais correto ao que acontecia no jogo. Pelo menos seria melhor que aquela trilha genérica que só servia para encher linguiça, além de ajudar a aumentar a comédia involuntária que a experiência de jogo me proporcionou.

The Crow: City of Angels é seguramente um dos piores jogos que pude experimentar no Playstation, inclusive aposto um dos meus rins que as versões PC e Saturn são tão lixosas quanto. Esse é um daqueles casos de jogos tão ruins que você se pergunta como alguém pode ter sido pago para trabalhar em um projeto daqueles. Qual será que era o segredo de Tostines da Acclaim? A Acclaim lançou porque era ruim ou era ruim por que a Acclaim lançou? Seja qual for a resposta para esse paradoxo vicioso, nem percam o tempo de vocês com uma bomba dessa estirpe, não sejam sacanas com o PSP ou com o PC responsável por rodar um emulador para esse tipo de jogo. Aproveitem o fim de semana e o feriado com coisa bem melhor. Até porque o tempo perdido com um troço desse não poderá ser recuperado.

É isso aí, amiguinhos. Até o próximo post.

André V.C Franco/AvcF – Loading Time.

5 thoughts on “Game Contraste: The Crow: City of Angels (PC/Playstation/Saturn)

  1. André,

    apenas um toque: este jogo é baseado no segundo filme da franquia, cujo nome é “The Crown: City of Angels”, de 1996.

    O primeiro filme é conhecido apenas como “The Crown”.

    abraços

  2. O primeiro filme é muito bom, e matou o Brandon Lee, quer coisa mais interessante hehe!!! Na locadora perto da minha casa tinha um cartaz desse, e eu joguei o game por causa dele (ta vendo como propaganda influencia) Mas por minha sorte eu só jogava PS1 em horas de aluguel na locadora, eu o considerava um VG ruim com alguns jogos interessantes. Enfim, gastei R$ 1,00, uma hora, dedos, olhos a toa. Não consegui passar do inicio, aliás ninguem conseguia, tudo era tão mal executado que não conseguiamos sequer guiar o personagem. Péssimo!!!

  3. Nossa nunca joguei esse jogo, mas até que me deu vontade de jogar so por curiosidade…..rs
    pelo menos a musiquinha do final do video parece parece legal, lembra as musicas do legacy of kain

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *