Mario Kart 8 nos lembra que ainda há vida inteligente na Nintendo

Saudações aos leitores.

A Nintendo é realmente uma empresa difícil de entender. Todos os cinco leitores que ainda lembram desse blog sabem que os últimos anos foram só cíticas às diversas burradas e decisões incompreensíveis por parte da Big N. Aí os caras vem e resolvem acertar. Apartir disso vem a pergunta fatal, aquela do “já que eles acertam quando querem, por que não querem sempre?” Pois é, amigos, pois é. Está aí mais um dos mistérios da humanidade. Se alguém souber a resposta para esse e outros enigmas, favor me dizer, sou todo ouvidos. Deixando isso de lado e falando de Mario Kart especificamente, a espera valeu a pena, amigos.

E por quê valeu a pena? Valeu porque enfim a Nintendo se concentrou em fazer um grande game ao invés de bolar mais uma maneira monga de nos mostrar o quão “genial” é o gamepad. Prova maior disso é que a opção principal de controle é justamente usando o método tradicional, com botões e analógico, muito bem mapeados e implementados, por sinal. Já o impreciso e desnecessário controle via giroscópio é apenas uma opção secundária, que ficou até meio escodida na interface presente na tela do gamepad (aliás, já voltarei a esse detalhe mais a frente no texto).

Bom, de cara não tem como não notar os belíssimos gráficos, cuja apresentação é não apenas a melhor do Wii U até aqui, como é a melhor de toda a série. Modelagem, direção de arte, efeitos e texturas tudo com um esmero que se querem saber, não vi em boa parte dos jogos do PS4 e Xbone. As pistas longas e cheias de variações serviram como ótimas bases para paisagens cheias de detalhes e cores que são até difíceis de notar no calor das corridas. Tudo isso rodando cravado à 60 quadros por segundo, mesmo com dois jogadores simultâneos e aquela zona característica dos jogos da série. Ainda nesse sentido, as pistas antigas ficaram mais impressionantes do que nunca, graças a senhora recauchutagem que receberam:

Outro acerto da Nintendo no departamento gráfico foi, segundo o site Eurogamer, a escolha de um algoritimo de suavização no lugar do tradicional anti-aliasing, o que certamente teria um impacto significativo na performance e talvez deixasse a imagem um tanto embaçada. Dessa forma, embora alguns serrilhados mínimos sejam visíveis aqui e acolá, a apresentação geral ficou bastante nítida ao mesmo tempo que conta com uma pletora de modelos arredondados e “macios”. Além disso, os diversos materiais presentes no jogo como metais, pedra, terra, água etc, nunca foram tão bem representados em um jogo Nintendo. Resumindo, o jogo tá um brinco.

O melhor é que o som segue o mesmo padrão de qualidade, com diversas músicas gravadas em estúdio, como o espetacular tema de créditos em ritmo jazz fusion:

Mas como nem tudo são flores, há também uma pequena porção de erros de design de interface que precisam ser mencionados. O primeiro é que talvez com a intenção de incentivar os jogadores a experimentar o melhorado sistema de replay highlights do jogo, a primeira opção de cima para baixo é justamente a dos “highlights” ao invés do tradicional “next race”, o que leva a inúmeros momentos “c$%$%¨, não era esse que eu queria apertar, p%$¨&*!”. Realmente é um chute nos bagos ter que passar por uma tela a mais quando tudo o que queremos é ir direto para a próxima corrida e por distração apertamos por reflexo aquele que devia ser o botão para prosseguir. É aquilo: imaginem a confusão que seria se invertessemos a posição dos botões “ok” e “cancel” de um aplicativo qualquer. Seria confuso, não? Então, esse tipo de regra não escrita é definida pelo design de interface, que involve usabilidade, ergonomia, etc. Pelo visto alguém na Nintendo faltou à essa aula no curso de design. Além disso, talvez em um esforço de tornar o HUD mínimo e deixar o espaço visual mais amplo para o jogador, o mapa e as infos de corrida foram transferidos para a tela do gamepad, o que mata qualquer possibilidade de saber a posição dos oponentes durante as corridas. Afinal, é complicado deixarmos de olhar para a tela e tranferir nosso campo de visão para a tela do pad sem que isso não cause uma manobra errada. Bola fora da Nintendo, sem dúvida.

Correndo para a glória

Falando especificamente sobre as corridas, ficou nítido que houve grande esforço em torná-las mais equilibradas e menos dependentes de certos items. Sabem aquilo de você arrebentar durante a corrida inteira e na parte final tomar um casco azul, uns 12 cascos vermelhos e verdes em seguida e terminar em oitavo ou décimo? Ou o contrário, fazer uma corrida miserável e no final faturar o caneco com uma estrela e um bullet bill? Pode esquecer, pois as coisas são mais equilibradas agora. Primeiro porque não é mais possível acumular um item enquanto você segura outro, e segundo porque a aparição de items-chave não é mais tão comum assim. Além disso, não há mais também aquela superioridade das motos sobre os karts, presente na versão Wii, o que torna a escolha do piloto, bólido e pneus mais criteriosa do que nunca.

As pistas por sua vez privilegiam bastante a velocidade também, com várias retas em conjunto com curvas próprias para os drifts. A principal novidade do jogo, os setores anti-gravidade, para meu alívio não ficaram exagerados nem tornaram Mario Kart em um F-Zero “wanna be”. Claro, os loopings em alta velocidade estão lá, mas na dose certa. Um detalhe interessante dessa parte é que o jogo incentiva o jogador a trombar contra os adversários, pois isso dá um pequeno boost de recompensa, diferentemente do que ocorre no restante das pistas. Ah sim, espere um desafio brutal na categoria 150cc, pois me pareceu que a IA dos carros do computador está mais afinada do que nunca. Confesso que suei frio para conseguir três estrelas em campeonatos. Por sinal, a imagem abaixo ilustra bem o que é o desafio de Mario Kart 8:

Nem preciso dizer que o online é pura carnificina em certas pistas. Mas pelo menos dessa vez não somos obrigados a correr com cheaters.

Manjada do Polygon

Por fim, não poderia deixar de registrar a manjada estelar do Polygon. Pouco antes do lançamento de Mario Kart 8, o site Polygon – aquele mesmo do analista leite-com-pera que achou Duck Tales “brutal” – postou uma “asnálise” digna das da seção “Pérolas Publicadas” aqui do blog. O “raciocímio” consistia am comparar as vendas dos Mario Karts anteriores em relação à base instalada dos consoles em que foram lançados, e dessa forma fazer uma projeção das vendas de Mario Kart 8 com base na atual base instalada do Wii U. Com base nisso, o site projetou que Mario Kart 8 teria a pior venda de um jogo da série:

O raciocínio é mongolóide de saída, pois não faz nenhum sentido comparar bases instaladas de consoles que foram lançados em épocas diferentes, além do fato de que os jogos foram lançados em momentos distintos de cada console, ou seja, uma comparação débil entre laranjas e bananas. Enfim, o exercício de futurologia barata do instituto Polygon & Dinah Associados não durou sequer um FIM DE SEMANA, pois Mario Kart 8 bateu em três dias as vendas que o Polygon projetou para TODA SUA VIDA ÚTIL. Agora perguntem se o site publicou uma errata, ou algo do tipo. Que nada, como vocês podem ver no link acima, eles ainda tentam manter a pose após essa barrigada jornalística, tal qual uma pessoa que tenta fazer aquela cara de paisagem após escorregar e cair de bunda na chão na frente de todo mundo.

Por fim…

Enfim o Wii U tem um grande game além de Donkey Kong Country Tropical Freeze, além de um suspiro depois de tantas notícias ruins. Mario Kart 8 também chegou em um bom momento, pois dá um sopro positivo bem na véspera da próxima E3. Afinal, já que o Wii U é o que há, que pelo menos a Nintendo faça um trabalho decente com ele – e Mario Kart 8 pode ser o primeiro passo nesse sentido. Joguem e entenderão melhor o que digo.

Ah sim, e você sabe que um jogo é realmente fora de série quando até um personagem bundão como o Luigi acaba virando um verdadeiro “putão” das corridas:

Abraços e até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

10 thoughts on “Mario Kart 8 nos lembra que ainda há vida inteligente na Nintendo

  1. “Cinco leitores que ainda lembram desse blog” me senti incluído nessa huehue!!! Comprei o meu Mario Kart 8 em disco, to esperando ansiosamente ele chegar!!!!!

  2. Outro game que parece estar sendo muitíssimo bem feito é Smash Bros. A cada novo anúncio ele se mostra mais atraente e interessante!!!!

  3. Vou me incluir nesses 5 também pois acompanho o blog a anos!!!
    Eu baixei o meu Mario Kart 8, joguei e o meu veredito é de que ele é simplesmente perfeito!
    Desde Mario Kart 64 que eu não sentia tesão nas músicas e esse veio matador nos sons e efeitos.
    A direção de arte como você mesmo disse é espetacular, é tão incrível que dá vontade só de ficar assistindo o jogo e ouvindo as músicas!
    Simplesmente incrível!

    PS: Mas que é uma sacanagem não poder ter mais de um item pra tacar nos outros isso é!!!

  4. Parece que o melhor pra Nintendo, pelo menos na sua era pós-Snes, é não ficar na dianteira do mercado. Sempre que a Nintendo lidera, a diarréia mental começa. Bastou o Wii atingir a liderança, pra começar uma chuva de softwares estranhos e desnecessários (cof, cof Wii Music, cof). O próprio Mario Kart ilustra bem essa situação, é notório que a versão do Wii original, por mais divertida que seja, não contou com o mesmo esmero e dedicação em sua produção que a MK8. E o mesmo aconteceu com o 3DS, depois de ver o aparelho minguar nas vendas, a Nintendo decidiu se tornar menos “inovadora” e mais “softhouse”. Espero que MK8 eleve as vendas do Wii U, mas não muito. Quem sabe assim a Nintendo continue fazendo games como se deve…

    1. Olá, Gilmar, não concordo com vc, acho o Mario Kart Wii igualmente bem feito, dentro das suas limitações. É tudo muito bem acabado e funciona, inclusive a versão do Wii U herda muito da versão Wii.
      De qualquer forma, gostaria que você citasse os pontos em que vc julga a versão do Wii inferior na produção.

      1. Confesso que tem muito tempo que joguei Sergio. Mas o que posso citar no geral: Mario Kart Wii foi, na minha opinião, o mais desequilibrado da série, no que concerne os itens. Não lembro de nenhum MK com bugs comprometedores como aqueles (poucos, mas que existiam) na versão Wii. E por último, cito os gráficos, era notório que o Wii poderia fazer MUITO melhor que o que foi apresentado. Mas é como eu disse antes, nem de longe MK Wii é ruim 🙂

  5. Mario Kart é um monstro em todos os sentidos, jogo desafiador, bem feito, vende bem, é lindo e a sua oitava versão não poderia ser diferente.
    Concordo em praticamente todo o texto, com exceção do mapeamento dos botões. Acho muito mais confortável acelerar utilizando o botão Y, logo fica ruim de pressionar o X para olhar para trás. Ao menos tivessem posto a mesma função no botão B, seria muito melhor. Esse mapeamento realmente está me incomodando nas corridas.
    A I.A. dos adversários está muito bem afiada mesmo, lançando os itens nos momentos corretos para acabar com sua corrida, mas nada que praticar não faça você vencer na maioria esmagadora das vezes, e ajuda bastante saber como gerenciar seu único item disponível por vez.
    Falando em item, esse é um dos pontos que mais senti diferença no jogo, principalmente por aquela moeda estúpida que insiste em sair me deixando totalmente vulnerável, principalmente no online.
    Enfim, o jogo está excelente como era de se esperar. Vale muito a pena.

  6. Já são 8 dias jogando e realmente está bacana. Na minha opinião longe da diversão que 64 e Double Dash me proporcionaram e menos conteúdo que a versão de DS, mas as pistas estão muito divertidas e online quase perfeito! =D

  7. “Se alguém souber a resposta para esse e outros enigmas, favor me dizer, sou todo ouvidos.”

    Simples, a Nintendo não busca a maximização imediata dos lucros, mas estabilidade dentro da industria, de modo que a empresa possa continuar existindo por mais 100 anos sem precisar mudar de ramo.

    Por esse motivo ela se recusa a lançar jogos em plataformas mobile e prefere manter o 3DS, mesmo com a oportunidade de lucrar absurdamente mais no mercado mobile.

    Os “erros” da Nintendo que não foram causados por essa filosofia de “estabilidade sobre lucro”, foram causados pela centralização de poder na Nintendo of Japan, que muitas vezes deixam a NoA e a NoE de mãos atadas, sem poder ajustar as decisões da empresa para uma posição favorável aos seus respectivos mercados.

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