Por trás do sucesso de Pokémon Go, as relações complexas entre Nintendo e The Pokémon Company

Por trás do sucesso de Pokémon Go, as relações complexas entre Nintendo e The Pokémon Company

Saudações aos leitores.

O artigo de hoje visa clarear uma certa confusão que as pessoas fazem em relação ao fenômeno causado pelo lançamento de “Pokémon Go”, quando muitos, por exemplo, acham que tudo se deve à Nintendo, sendo que há uma sociedade com três empresas que administram a marca Pokémon. Sendo assim, traduzi o artigo abaixo do Le Monde que explica como funcionam as engrenagens que movem esse grande negócio de Pikachu e cia. Boa leitura a todos e espero que gostem!

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Não, Pokémon Go não é um jogo Nintendo, ao contrário do que os investidores parecem pensar. O novo fenômeno para smartphones, lançado na Nova Zelândia e na Austrália, e em 6 de julho nos Estados Unidos, foi diretamente editado pela Niantic, uma ex-start up interna no Google, e sobretudo com o aval e apoio de marketing da sociedade que gerencia os direitos de Pikachu e seus amigos, The Pokémon Company. “O projeto foi largamente dirigido por Mr. Ishihara e a Pokémon Company”, disse em dezembro John Hanke, PDG da Niantic.

Sobre a origem da Pokémon Company, uma co-empresa tão citada quanto desconhecida, três atores diferentes, igualmente repartidos no capital da sociedade, em 33%: Nintendo, a famosa fabricante de consoles de Kyoto, mas também a Game Freaks, o estúdio que originou os jogos, e a Creatures Inc., um outro estúdio próximo à Nintendo e especializado em jogos de cartas.

A co-empresa foi fundada em 1998, ano do lançamento americano de Pokémon, com um objetivo que não mudou em quase vinte anos: desenvolver a marca, através de parcerias e produtos derivados. Seu papel, Tsunekazu Ishihara, o atual presidente da companhia de Tóquio, define no site oficial nesses termos:

“Imagine uma agência de talentos. Uma agência de talentos decide qual tarefa confiar a seus talentos, como tomar cuidado de suas competências, como as cultivar. Da mesma maneira, na Pokémon Company, nosso trabalho consiste em produzir Pokémon, diria que nós refletimos sobre quais tipos de midias deveriam aparecer nossos talentos, como Pikachu ou Snivy, em quais produtos os utilizar, como fazê-los crescer.”

Ao contrário da Nintendo, a expertise da The Pokémon Company se deve menos do domínio do video game que dos brinquedos e da gestão de franquia. Não é por acaso que seu diretor de marketing, Peter Murphy, é ex-Lego e Hasbro. É ele que está a cargo das relações com “nossa parceira pelos videos games, Nintendo”, como ele apresenta sua conta LinkedIn. As duas sociedades são de fato independentes uma da outra, ao menos em seus funcionamentos.

Video Game, a coluna vertebral de Pokémon

Mesmo se a Creatures Inc., Game Freak e Nintendo dispoem de partes iguais do capital de The Pokémon Company, o video game sempre foi a coluna vertebral de sua aventura em comum, com mais de 280 milhões de jogos vendidos desde as estréias da franquia em 1996. Seu sucesso é inegável: Pokémon X e Y são as melhores vendas para o último console portátil da Nintendo, o 3DS, com 14,7 milhões de exemplares vendidos, e o lançamento eventual de um novo jogo próximo ao natal, Pokémon Sun e Pokémon Moon, não é totalmente estranho em relação à notícia do lançamento em março de 2017 do próximo console da Nintendo, o NX.

Mas se a Nintendo precisa de Pokémon, o inverso é menos verdadeiro. Suas parceiras no centro da co-empresa foram a deixar isso claro. No verão de 2015, o estúdio original da famosa franquia, Game Freak, publicou pela primeira vez depois de vinte anos um título exclusivo para os consoles concorrentes, Tembo the Badass Elephant. A explicação oficial do responsável pelo jogo foi no mínimo leviana:

“Quando eu escrevi os documentos do projeto, eu desenhei um poster fictício e eu coloquei nele os logos Steam, Playstation e Xbox. Isso ficou legal, e acabou ficando assim. Nós pensamos em outras plataformas durante o desenvolvimento, mas estávamos sobrecarregados.”

Mesmo The Pokémon Company é em parte emancipada da Nintendo ao editar o jogos de cartas Pokémon TCG para smartphones, lançado em seu próprio nome em setembro de 2014. Lembrando assim que foi bom para a Nintendo ser acionista, pois a empresa gestora de direitos dos monstros de bolso não seria menos independente.

Um novo equíbrio de forças

“Se nós trouxermos Pokémon ao iPad ou mobile ou não importa qual outro, eu acho que seria porque haveria algum tipo de problema a resolver, não para trazer os jogos antigos por exemplo”, temporizava à época Junichi Masuda, o produtor da série na Game Freak. Essa versão numérica do jogo de carta é justificada, oficialmente, pela necessidade de ajudar os jogadores a encontrar adversários não importa quando. Mas menos de um ano mais tarde, Pokémon Shuffle, um jogo de quebra-cabeça inicialmente lançado para 3DS, foi por sua vez adaptado pela The Pokémon Company para smartphones e tablets.

Pikachu estaria causando um curto-circuito na Nintendo? Os seus interesses, é verdade não se sobrepõem 100%. Enquanto a construtora procura vender seus consoles e seus jogos, a co-empresa que gerencia os monstros de bolso, ela, desenvolveu a notoriedade de seus personagens, pouco importa o suporte. Ora, na época, a firma de Mario não havia ainda anunciado sua mudança de estratégia e a chegada de suas marcas para smartphones.

Pokémon Go é assim uma reviravolta. Mais que a reconquista da Nintendo, seu sucesso ilustra sobretudo a reconfiguração do equíbrio de forças entre a construtora, a gestora de direitos e as novas pepitas do video game mobile. Nintendo deverá retirar receitas diretas pequenas. “Nós estimamos que de cada 100 gastos na AppStore, 30 deverão ir à Apple, 30 à Niantic, 30 à Pokémon e 10 à Nintendo”, se aventura David Gibson, analista da Macquarie Capital Securities. Mas se não foi o motor do desenvolvimento do jogo, a firma de Kyoto é ao menos presente.

“Eles resistiram muito tempo ao mobile. Mas visto claramente suas relações conosco e com DeNA, eles entendem a que é útil para o futuro”, assegura John Hanke, o PDG da Niantic, ao site Venture Beat. Embora não tenha desenvolvido ou editado, a construtora então acompanhou o projeto investindo no capital da Niantic, como ela havia feito para desenvolver a empresa mobile japonesa DeNA em paralelo.

BraceletePokemonGo

Já em março último, Nintendo havia lançado Miitomo para smartphones, sua primeira aplicação para mobile, com o objetivo de criar uma ligação entre a familiaridade do público em geral e seu universo. Nintendo espera aproveitar o sucesso de Pokémon Go de maneira indireta: uma promoção excepcional para a franquia de seu jogo carro-chefe de natal, assim como uma alavancagem fantástica para promover suas outras marcas.

Se um ator resolve granhar com seu sucesso, é apesar de toda a sociedade de gestão de Pikachu e seus amigos. Em seu site na internet, o padrinho dos monstros de bolso pode se orgulhar: “Nossa estimativa, “enriquecer tanto o mundo real quanto o virtual com os Pokémon”, não é uma idéia mas uma realidade tomando vida sob nossos olhos.”

Perguntado por Le Monde sobre o sucesso do novo fenômeno dos video games para smartphone, Nintendo France preferiu declinar e apontar para o fim do ano com o lançamento de Pokémon Sun e Moon para 3DS, dois jogos que serão, eles, belos e bem posicionados sob a égide da construtora japonesa.

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