Quais são seus guilty pleasures gamísticos?

Saudações aos leitores.

Vocês já devem ter alguma vez ouvido falar em “guilty pleasure”, certo? Caso contrário explico rapidamente: trata-se de qualquer peça de entretenimento (música, filmes, jogos) cuja ruindade e capacidade de constrangimento o faça se sentir “culpado”, ou com vergonha de ver/gostar (especialmente na frente de outras pessoas). Pois é, mais ou menos como aquela tia que jura não assistir reality show, mas que estranhamente sabe o nome de todos os participantes.

Como sou humano e falível, também tenho meus guilty pleasures gamísticos, jogos que embora racionalmente sei que são terríveis e embaraçosos, inexplicavelmente não apenas gostei deles, como me diverti bastante com eles. Falarei sobre esse estranho fenômeno após o link.

Jogos de luta livre

Começo o assunto do post é guilty pleasure, na mais apropriado do que começar justamente por uma forma de entretenimento que é a personaficação disso, a luta livre. Seus heróis canastrões, vilões cafonas, lutas coreografadas e as tradicionais marmeladas formam uma gloriosa vergonha alheia total, que por sinal eu adoro. É sério, curti de montão as lutas dos tempos do Super Catch da extinta tevê Manchete, me divertia de montão com personagens pra lá de ridículos como Razor Ramon, Sid o Psicopata, Diesel, King Kong Bundy, Doink the clown, British Bulldog, Aldo Montoya e demais malucos. Por sinal, meus heróis desse tempo eram 123 Kid, com suas “técnicas de artes marciais” e Bret Hart, um lutador que conseguia ser fodão mesmo de colant rosa e óculos espelhados de michê praiano.

Sendo assim, era óbvio que correria atrás dos games que representassem esse universo, e foi óbvio também que me dei mal, pois os jogos eram todos terríveis – cortesia da eternamente infame Acclaim e seu arco-íris de merda, LJN. Os jogos de luta livre baseados na licença da WWF eram tão toscos e mal executados, que eu passava a maior vergonha quando jogava um desses perto do pessoal que curtia Street Fighter 2, esse considerado o “verdadeiro” jogo de luta pela molecada da época (como se o hadouken fosse um golpe super realista, mas a molecada era toda idiota mesmo). A coisa ficou ainda mais engraçada após Mortal Kombat ter se tornado uma influência também para os jogos de luta livre, fazendo com que a Acclaim soltasse tosqueiras desse calibre:

Embora WWF: Wrestlemania The Arcade Game fosse uma péssima mistura de Street Fighter, Mortal Kombat e Killer Instinct (o jogo tinha uma espécie de ultra combo, acreditem) com luta livre, me recordo de ter gastado uma bela grana alugando essa porcaria repetidas vezes. E isso porque a versão SNES conseguia ser a pior versão de um jogo que já era bem trash por padrão.

Na geração seguinte, Playstation e Nintendo 64 ganharam uma tonelada de jogos tridimensionais de luta livre, uns piores do que os outros. Mas aí a ruindade era tamanha que nem mesmo eu conseguia mais aguentar, até que parei definitivamente de jogar esse tipo de jogo. Nem mesmo os WWE recentes me atraem, sobretudo pelo fato de serem jogos anuais altamente descartaveis. Sobre a luta livre em si, acho que já passei da época de curtir essas coisas, embora sofra umas recaídas eventuais, tendo assistido a luta de John Cena contra The Rock e de Brock Lesnar contra Triple H, ou mesmo tendo visto ao vivo Chris Jericho quase ser preso por ter chutado a bandeira brasileira.

Ah sim, CM Punk é cara, só pra constar. E o que é que vocês estão olhando?

Virtual Boy

Vocês não leram errado, e não, não fiz nenhuma confusão aqui. Diferentemente de 97,4% dos jornalistas de games que criticam o Virtual Boy sem nunca ter de fato chegado perto de um, eu não apenas joguei, como GOSTEI da experiência. Loucura? Abuso de substâncias psicotrópicas? Tortura? Nada disso, amigos, acalmem-se que eu explico. Em 1995 eu era rapazote de 11 anos que fazia sua primeira viagem ao exterior, especificamente à Orlando, Flórida. Então imaginem o deslumbramento somado à mágica ignorância da cabecinha do pequeno AVCF, agindo como um perfeito caipira cucaracho em seus primeiros passos na terra do Tio Sam. Portanto, quando meu pai me levou a uma loja de games, minha capacidade de julgamento e meu senso crítico (lembrando que tinha apenas 11 anos) já tinham ido para o espaço.

Joguei uns 10 ou 15 minutos de Mario Tennis, e se não me engano, alguma coisa de Mario Clash também, o suficiente para ter enchido o saco do pai para comprar aquela porcaria de console. Claro que ele percebeu rapidamente a fria que era aquilo, e com a habilidade que só um pai possui, conseguiu me dissuadir com um argumento poderoso – alguns dias depois comprou um SNES com Donkey Kong Country e Super Mario World na caixa (e sim, eu era bom aluno, viram?). Claro que o Virtual Boy rapidamente foi esquecido, e por óbvio não nunca fez falta alguma. Porém, deixo aqui registrado a minha vergonha de ter gostado (ainda que por breves minutos) de um dos piores consoles da história.

Mortal Kombat Mythologies: Sub-Zero

Confesso que não sei bem o que escrever aqui. Sério, não sei explicar porque diabos eu gostei desse jogo. E por gostar, quero dizer comprar, jogar e finalizar. Sim, é fato que Mortal Kombat Mythologies é um terrível jogo de ação “2.5D”, com os controles bizarros de Batman Forever (acrescido de um mais bizarro ainda botão para virar de um lado para o outro), fases longas, tediosas e cujo péssimo level design criam uma dificuldade brutal. Por falar nisso, a dificuldade eram tão ridícula, que qualquer deslize (as vezes literalmente) podia levar o protagonista (ou seria vítima?)a ter seguidas mortes instantâneas,



Qualquer semelhança é mera coincidência

E como se não bastasse a ruindade do jogo em si, os filminhos eram de fazer até mesmo atores pornôs corarem de vergonha:

Talvez esse seja o único caso em que a falta de memória para rodar filmes tenha sido um ponto a favor do Nintendo 64, pois ao serem transformados em slides com textos, as cenas entre as fases ganharam alguma dignidade, mesmo que de forma involuntária. Embora o jogo fosse uma porcaria do mesmo jeito.

Star Craft 64

Se vocês não sabiam, agora estão sabendo que um dos RTS mais famosos de todos os tempos (os coreanos que o digam) teve uma versão para Nintendo 64. Bizarro? E como! Pois não apenas portaram Star Craft, como ainda a produtora Mass Media deu um jeito de atochar a expansão Brood War no mesmo cartucho. Mas afinal, no fim das contas ficou bom? Então…não. E por motivos óbvios até, pois um gênero de jogo que exige mouse e teclado sofreu muitas adaptações e limitações para conseguir ser encaixado no controle do Nintendo 64 – que por sua vez não era um controle exatamente convencional. Além disso, a pouca memória presente no cartucho fez com que o jogo sofresse várias restrições gráficas e sonoras, como por exemplo a exclusão de todas as animações presentes nas telas de briefing e nas janelas de interface dos personagens do jogo.

Como o Nintendo 64 também não era capaz de exibir a mesma intensidade de acontecimentos que a versão PC, a versão console acabou contando com menor velocidade e dificuldade em relação à versão PC, o que fez com que eu durante muito tempo acabasse preferindo jogar Star Craft no Nintendo 64 mesmo. Como essa versão conseguiu manter exatamente as mesmas fases e missões de todas as raças presentes na versão principal, só comecei a jogar no PC para ver as excelentes (para o padrão da época) cinematics da Blizzard. Tudo isso para desespero do meu tio, um fanático PC gamer que fazia questão de jogar na minha cara a superioridade do PC. Curiosamente, hoje Star Craft 64 é um cartucho até raro, daqueles que não são tâo baratinhos de se conseguir. E o meu ainda tem a bateria funcionando.

E vocês? Quais são seus guilty pleasures gamísticos? Quais são os jogos que apesar de toscos e constrangedores, vocês não deixaram de gostar e se divertir?

Abraços e até o próximo post.

AvcF – Loading Time.

18 thoughts on “Quais são seus guilty pleasures gamísticos?

  1. Rolling Thunder de NEs. Era esquisito, difícil, repetitivo, mas alugava quase toda semana huehue!!!! Mas, Não tenho tantos assim, a maioria esta relacionado aos Mortal Kombat, principalmente o 4 e o Armageddon, que ninguem gostava, mas eu ficava horas jogando hehe!!!

    Off Topic: AVCF, vc já teve oportunidade de jogar o New Super Mario Bros. U? Se não, esta perdendo tempo, é um game incrivel, o melhor da série na minha opinião. Um jogo que não tem medo de ser difícil, frustrante em alguns momentos, mas sabe recompensar bem seus jogadores, não só com vários ítens, passagens secretas e gráficos bonitos, mas também com um Level Design caprichado, extremamente cuidadoso. Sem contar o Boost Mode, que é divertidíssimo de jogar em turma. Meu Wii U já valeu a pena só por conta desse game hehe.

    AvcF: Não tenho Wii U, mas talvez compre em dezembro por causa de DKC, e aí evidentemente comprarei também NSMB U. Ano passado, quando visitei o Nintendo World Store, eu cheguei a jogar uma fase e já pude ver como o jogo é bom.

  2. O meu pior guilty pleasure é Star Wars The Force Unleashed II pra Nintendo DS. É repetitivo, algumas vezes os controles não funcionam bem e as cutscenes são medíocres, mas por alguma razão eu terminei ele duas vezes. Também tem algo bem pior, que é o modo história do Need for Speed; Most Wanted de 2005. É tosco e canastrão de doer o figo, voltando à glória do fmv, mas eu amo aquilo: ”First i’m gonna take your ride then i’m gonna take your girl. Get ready for that!”

    P.S.: Sem querer ser chato, com mais um off-topic, mas um dia veremos um post com suas opiniões sobre o mercado de jogos mobile, AvcF?

  3. Acho que a única coisa similar que eu me lembro de ter jogado e gostado muito durante uma época foi Ultimate Mortal Kombat 3… ou melhor Mortal Kombat de um modo geral. Esses dias eu coloquei MKII pra rodar no meu Mega e ver de kolé que é… puta merda, jogo ruim do kct, voltei na hora pro meu bom e velho Killer Instinct Gold.

  4. O Wii U, hoje, é o meu console Guilty Pleasure.
    Mas jogo, já tive vários. Pantera cor de rosa (SNES), Pit Fighter (SNES), Army Men Air Combat (PS1), Bio Freaks (N64), Mortal Kombat 4 (N64), Star Fox Assault nas partes a pé (GC), Final Fantasy XIII (X360)…

    Quem diz que não tem está mentindo.

  5. Jogos do Kirby.

    Tenho todos do GBA, DS, Wii. E no 3DS tenho todos que saíram para o virtual console.

    Minha ex ficava me zoando pois nem ela jogava Kirby. Mas como é plataforma de fato, e não puzzle disfarçado de plataforma, fica difícil não jogar, mesmo que tenha vergonha de joga na frente das pessoas. Jogo Just Dance, Zumba Fitness, mas nunca jogo Kirby na frente de alguém que não seja muito íntimo.

    1. kkkkkkkkkkkkkk, Kirby é pra matar. O pior é que os jogos são bons. Minha esposa terminou o Kirby Return to Dreamland, do Wii e eu jamais joguei. Porém, acompanhei a aventura dela, e realmente o jogo é bom. Agora, o Epic Yarn é tenso de jogar com uma bola de lã rosa que vira um carrinho e faz “bibi”.

  6. Um bem recente.

    Fire Emblem: Awakening, para o 3DS. O jogo é mediano, mas em matéria de Fire Emblem é o pior da série. É todo quebrado, não precisa de estratégia nenhuma, focou nessa vi*d*g*m de dating sim, não tem online, não tem história, personagens não tem carisma nem profundidade, não tem dificuldade nenhuma no jogo e ainda assim, tenho 100 horas de jogatina. XD

    1. Não sei se é porque nunca joguei um título anterior dessa série, mas mas gostei bastante de Awakening. Discordo quanto a não precisar de estratégia, pois qualquer bobeira o computador cerca e mata um personagem seu, fora que o jogo é “dificinho” se você não optar pelo casual mode. A história é fraquinha mesmo, foi feita mais para poder inserir o jogador naquele contexto.

      1. Meu caro, realmente não há estratégia. Tudo o que é preciso nesse jogo é GRIND. Infelizmente deixaram Fire Emblem fácil. A tal “dificuldade” é o sistema quebrado, no qual fica muito dependente dos critical. Eu não jogo no modo casual e não reseto quando alguém morre (no último FE que joguei, Radiant Dawn, perdi 3 personanges no jogo), e ainda assim não tive NENHUMA baixa. Não bastasse isso (e o fato de você poder agrupar até 5 skills – e várias delas são overpower e/ou quebradas), ainda tem a opção de fazer parceria com um personagem no mapa, deixando seu time ainda mais overpower e tirando – E MUITO – a graça do jogo.

        Sem falar que os DLCs, somados ao nefasto SECOND SEAL, tornam a “montagem” de seu personagem mais uma questão de tempo do que de estratégia propriamente dita, já que é possível atingir o cap de TODOS os stats de TODOS os personagens, algo que não é possível nos outros jogos por causa da limitação dos itens.

        (O curioso é que muito site criticou Shadow Dragon por não ter várias novidades dos jogos do Cube e do Wii e pasme, o jogo do 3DS é ainda mais “capado” que a versão do DS, ainda assim não vi nenhuma crítica a isso).

        O que estranhei é que o fato de você ter gostado do jogo tem muito a ver com sua crítica ao pessoal que analisou o DuckTales.

        Esse Fire Emblem é fácil, acessível e bobo, então um maior número de pessoas gostaram. Eu achei disparado o pior Fire Emblem, CONTUDO, a série precisava mesmo de novos fãs. Espero que o próximo FE seja um Fire Emblem de verdade, não um Fire Emblem para os jogadores atuais (pombas, se já colocaram o tal modo casual, não precisavam imbecilizar o jogo todo).

        Como disse, não é um jogo ruim, mas em questão de marca, consegue ser o pior Fire Emblem, principalmente porque deixou de lado 2 marcas da série. História interessante e dificuldade alta.

        1. Repito que não joguei nenhum Fire Emblem anterior, então não posso comparar dificuldade e/ou acessibilidade. De fato concordo que grind é essencial e notei isso com meu avatar no nível máximo dizimando tropas inteiras do computador, realmente isso foi um fator de desequilíbrio. Porém, diferente do que você falou, o jogo não pega na sua mão e te ajuda a atravessar a rua, não tem mil tutoriais te ensinando tudo nos “mínimos detalhes” (como diria aquela personagem da Praça é Nossa). Fora isso, se você quer mesmo um jogo fácil, tem que escolher isso no íncio e arcar com essa decisão pelo resto do jogo. Bem diferente do que critiquei no texto do Duck Tales, portanto. Quanto aos DLCs, não vejo o que criticar, pois são absolutamente opcionais (e pagos). Só lembro de ter uma polemiquinha por causa de uma imagem da Tarja.

  7. Se serve de consolo, eu também me divertia pacas com os jogos de luta livre, desde os da era NES até com o Westlemania que você postou o vídeo. Esse, por sinal, nem a capa plástica do cartucho eu tinha, era só o chip mesmo.

    1. Eu também tive, porém o cartucho inteiro, hehe. Só sabia jogar com o Show Michael, em função do golpe q ele envolve as pernas no pescoço do adversário. Mas é um jogo bom, bem arcade mesmo. Não me sinto Guilty com ele. (agora, esses videos do Sube Zero…………..por favor!)

      1. Sem querendo ser chato mas já sendo, o nome correto é Shawn Michaels. E o golpe que você mencionou é “real”(digo, usado no wrestling mesmo, não inventado pro video game) e se chama frankensteiner.

  8. Um jogo que muita gente considera ruim é Wii Music, mas eu adoro ele.

    Não digo que é meu guilty pleasure porque realmente o acho um bom jogo. ^^

  9. Eu acho que não vão gostar, mas eu acho que SuperMarioWorld 2: Yoshi’s Island foi o meu guilty pleasure!!!
    Porque? Porque carregar um bebe chorando digamos, não era coisa de macho!!! 🙂
    Enquanto a matança corria solta com Quake e a porrada comia com Mortal Kombat 3, eu ficava isolado com meu Super Nintendo jogando SMW2. Ver tudo o que aquele console conseguia apresentar naquele jogo pra mim era incrível, mas com certeza não me fazia muito popular!!!

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